Rio de Janeiro, 23 de Janeiro de 2026

Blair anuncia renúncia e Gordon Brown deve ser o substituto

O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, disse que no dia 27 de junho deixará o cargo. Em discurso no condado de Sedgefield, onde foi recebido por partidários em ambiente festivo, Blair falou sobre os dez anos em que esteve no poder. (Leia mais)

Quinta, 10 de Maio de 2007 às 07:28, por: CdB

O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, disse que no dia 27 de junho deixará o cargo. Em discurso no  condado de Sedgefield, onde foi recebido por partidários em ambiente festivo, Blair falou sobre os dez anos em que esteve no poder: 

"Acho que foi longo suficiente para mim, mas, mais especificamente, para o país", disse, arrancando risadas da platéia. "Tive muita sorte e fui abençoado."

Blair confirmou a saída em uma reunião com os integrantes do seu gabinete pela manhã desta quinta-feira.  O primeiro-ministro vai ficar no cargo por mais sete semanas enquanto o Partido Trabalhista elege o novo líder da legenda.

O ministro da Economia, Gordon Brown, é o grande favorito para substituí-lo. Segundo uma fonte do governo, durante a reunião com o gabinete, nesta manhã, Brown prestou uma homenagem a Blair.

"Gordon Brown fez um tributo curto mas muito comovente à liderança de Tony Blair, não apenas no Partido Trabalhista e na Grã-Bretanha, mas também no mundo", contou a fonte à BBC.

"Em 1997 as expectativas eram altas, talvez altas demais", disse ao fazer um balanço dos três mandatos. "Agora há mais empregos, melhor saúde e educação, menos crimes."

Nas palavras de Blair, a Grã-Bretanha é agora "um confortável país no século 21, orgulhoso de seu passado e confiante em seu futuro".

"Esta é a melhor nação da Terra", disse o premiê.

Blair reconheceu que suas decisões foram muitas vezes polêmicas, como a intervenção no conflito em Serra Leoa, mas afirmou: "Há obviamente críticas a serem feitas sobre o meu governo e cabe a vocês, a população, fazê-las".

O primeiro-ministro defendeu ainda a aliança com os Estados Unidos, depois dos ataques de 11 de setembro de 2001 seguidos pelas invasões do Afeganistão e do Iraque.

"Os terroristas nunca desistiriam", destacou. "Não podemos falhar."

Legado

Tony Blair foi um dos primeiros-ministros britânicos mais populares no país. Entre 1994 e 2002, o premiê alcançou uma popularidade nunca antes registrada por antecessores. Popularidade que começou a ruir, contudo, após a guerra no Iraque - conflito que estará sempre associado ao seu nome.

Blair foi eleito líder do Partido Trabalhista em 21 de julho de 1994 e, desde 1º de maio de 1997, ocupa o cargo de primeiro-ministro da Grã-Bretanha - o trabalhista a ficar mais tempo no poder.

Jovem, educado (formado em Direito pela Universidade de Oxford, onde tinha uma banda de rock), entusiasmado e conhecido pela excelente oratória, Blair ajudou a renovar o partido.

Arquiteto da chamada Terceira Via, sua missão de tornar o Partido Trabalhista mais elegível foi um sucesso: foram três mandatos consecutivos com duas vitórias avassaladoras em 1997 e 2001 e uma maioria saudável em 2005.

Mas três projetos políticos que defendeu ao longo dos três mandatos não foram finalizados: a reconfiguração da centro-esquerda britânica, a entrada da Grã-Bretanha na Zona do Euro e o estabelecimento do processo de representação proporcional, em que o número de cadeiras no Parlamento dado a um partido político reflete o número de votos em todo o país.

Economia

Sob seu governo, a economia do país cresceu constantemente, registrando baixos níveis de inflação, taxas de juros e desemprego - legado, no entanto, do seu ministro da Economia, Gordon Brown, que sempre fez questão de manter sua independência na pasta.

Robert Peston, biógrafo de Brown, conta que o orçamento da União só era enviado ao gabinete de Blair horas antes de ser divulgado no Parlamento.

Em relação aos serviços públicos na Grã-Bretanha, embora tenha ocorrido um certo progresso em alguns setores, Blair deixa um legado de frustração, em especial na área de saúde.

O premiê deixará para trás serviços públicos com altos níveis de investimento para padrões internacionais, mas sem um alto nível de serviço. Um probl

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