A Grã-Bretanha, ao contrário dos Estados Unidos, disse nesta quinta-feira que não vai enviar mais tropas para o Iraque e sim, manter os planos de reduzir seu contingente em Basra, no sul do país.
- Não é nossa intenção enviar mais tropas no presente momento - disse a chanceler Margaret Beckett a jornalistas.
O primeiro-ministro, Tony Blair, disse na quarta-feira ao Parlamento que em poucas semanas as tropas britânicas estarão prontas para transferir a segurança de Basra para as autoridades iraquianas. O envolvimento na guerra do Iraque teve graves consequências para a popularidade de Blair, que deixa o cargo neste ano, após uma década como premiê.
Desafiando a opinião pública norte-americana, Bush anunciou na noite de quarta-feira o envio de mais 21.500 soldados para se juntarem aos 130 mil já no Iraque, com o objetivo de "romper o ciclo de violência". Políticos britânicos criticaram a nova estratégia.
- Nunca se deve reforçar o fracasso - disse o líder liberal-democrata Menzies Campbell à Sky News.
William Hague, porta-voz do Partido Conservador para questões internacionais, alertou que o envio de mais tropas dos EUA a Bagdá pode alimentar a insurgência.
- Gostaríamos de ter visto um pacote que dê maior importância a acelerar o treinamento e equipamento do Exército iraquiano, uma ênfase na urgente necessidade de encontrar uma forma de recomeçar o processo de paz do Oriente Médio - afirmou.
A Grã-Bretanha tem cerca de 7 mil soldados no sul do Iraque, a maioria em Basra e arredores. A cidade, a segunda maior do Iraque, continua perigosa, com a luta entre facções xiitas pela disputa do controle da região, e os britânicos muitas vezes são atacados.
Generais britânicos temem que suas tropas já estejam gravemente sobrecarregadas, pois também estão envolvidas em violentos combates contra o Talebã no Afeganistão.
- Não estamos a ponto de perder o controle de Basra, mas é possível que a coalizão na verdade perca o controle de Bagdá nos próximos três meses - disse o analista de defesa Charles Heyman.
Segundo ele, os EUA sabiam que não poderiam pedir mais tropas britânicas porque "o Exército britânico está totalmente estendido até o seu limite absoluto". Citando um cronograma de retirada ao qual teve acesso, o jornal Daily Telegraph disse que Londres vai reduzir seu contingente no Iraque em quase 3 mil soldados até o final de maio. Beckett disse que qualquer cronograma dependerá da evolução da situação em Basra.