O bispo de Barra (BA), Dom Frei Luiz Cappio, que neste domingo entrou em seu sétimo dia da greve de fome contra o projeto de integração do Rio São Francisco, está cercado de políticos e populares em sua casa, no sertão baiano. Além da carta enviada neste sábado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entregue pelo assessor da presidência, Selvino Reck, D. Luiz recebeu também a visita dos senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL), Heloiza Helena (PSOL) e César Borges (PFL).
A leitura da carta foi compartilhada com cinco pessoas: o arcebispo de Feira de Santana, Dom Itamar Rian, Ruben Ciqueira, da Pastoral da Terra, Luciana Cury, representante do Ministério Público, e seu sobrinho, Luiz Roberto Cappio Guedes, que é juiz da comarca de Teofilândia (BA). Após a leitura do documento, D. Luiz conversou com o grupo de amigos que o acompanha e respondeu ao presidente, após agradecer o gesto, dizendo estar disposto a qualquer diálogo para um projeto de convivência com o semi-árido, a revitalização do rio, "mas sem o fantasma da transposição". Até lá, permanece em greve de fome.
D. Luiz co-celebrou, no sábado à tarde, uma missa ao lado do arcebispo de Feira de Santana, Dom Itamar Rian, que o visitou a pedido do presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Cardeal Dom Geraldo Majella. Segundo o porta-voz do religioso, como a capela é pequena, a missa teve que ser campal devido à quantidade de pessoas que se aglomeravam no local, a maioria pescadores da região, além de índios das tribos truká e tumbalalá.
Um ônibus das Comissões Pastorais da Terra do Nordeste, reunidas em Garanhuns, levou um grupo de militantes até D. Luís para lhe ofertar um presente. O encontro aconteceu quando D. Luiz recebeu um pote de água do Rio São Francisco. Presente à reunião, a irmã Delci, da CNBB, lembrou o momento de emoção, quando muitos dos presentes confraternizaram com o religioso. Ainda neste fim-de-semana semana, até a próxima quarta-feira, dia de São Francisco, o volume de pessoas reunidas em torno da causa tende a aumentar. Vai haver vigília de terça para quarta-feira e os índios Trukás vão dançar o Toré em sua aldeia.