Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Bird critica omissão de ricos contra pobreza

O presidente do Banco Mundial, James Wolfensohn, criticou os países ricos na segunda-feira por fazerem declarações sobre pobreza, ações de ajuda e comércio para ganhar as manchetes dos jornais, mas sem realmente cumprir suas promessas. (Leia Mais)

Terça, 04 de Maio de 2004 às 06:16, por: CdB

O presidente do Banco Mundial, James Wolfensohn, criticou os países ricos na segunda-feira por fazerem declarações sobre pobreza, ações de ajuda e comércio para ganhar as manchetes dos jornais, mas sem realmente cumprir suas promessas.

Em uma conferência sobre desenvolvimento promovida pela entidade, Wolfensohn afirmou que nenhuma das oito nações mais ricas do mundo, que compõem o G8, cumpriu a promessa de gastar 0,7% do Produto Interno Bruto na ajuda ao desenvolvimento.

Dinamarca, Luxemburgo, Holanda, Noruega e Suécia foram os únicos países a atingirem essa meta estabelecida pelas Metas do Milênio, que estabelecia a redução da pobreza pela metade até 2015.

O presidente do Bird afirmou que os principais governos do mundo estão dispostos a gastar 900 bilhões de dólares em defesa, mas fornecem somente 60 bilhões de dólares em ajuda externa, desse total somente uma parte é em dinheiro.

- São os países ricos que todos os anos fazem um jogo de esconde-esconde nas reuniões do G8 quando os sherpas (burocratas dos governos que decidem a agenda que será discutida pelos seus chefes) vão e pensam o que pode ser destacado que não custe muito dinheiro, mas que conseguirá uma manchete nos jornais. Eu não estou brincando sobre isso - disse Wolfensohn.

Ele criticou a posição dos países desenvolvidos em convenções mundiais, que nunca chegam a um ponto favorável aos mais pobres.

- Quando você se aprofunda para mudanças fundamentais... a rodada de negociações comerciais de Doha não foi um grande sucesso até o momento em termos da agricultura e outras aberturas comerciais, e a questão da ajuda dificilmente tem sucesso - concluiu.

Para Wolfensohn, o combate à pobreza deveria ser tratado com a mesma importância dada à reconstrução do Iraque e do Afeganistão.

- A questão do desenvolvimento e da pobreza é tão importante e urgente quanto a questão do Iraque, quanto a questão do Afeganistão ou de Gaza - disse ele em Washington.

Em outra crítica, ele afirmou ainda que tanto os países ricos quanto os países pobres reconhecem os desafios de combater a pobreza e a corrupção, e de fornecer saúde e educação para todos, mas ficam longe de cumprir suas promessas nesses campos:

- Tenho a sensação de que não temos esse equilíbrio, sinto ainda mais que não temos no momento uma liderança que possa nos conduzir de forma satisfatória ao lidar com essas questões.

O G8 é composto por Estados Unidos, Japão, Alemanha, Grã-Bretanha, França, Itália, Canadá e Rússia.

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