Presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick afirmou que o programa de biocombustíveis do Brasil, baseado na cana-de-açúcar, oferece "mais eficiência e mais benefícios em termos de emissões de gases poluentes'' em relação aos de outros países. Os comentários do presidente do Banco Mundial foram feitos na entrevista coletiva que marcou o encerramento da Reunião de Primavera do FMI e do Banco Mundial, repercutida na manhã desta segunda-feira.
- 'Claramente, há um problema aqui. Nós temos biocombustíveis que se valem de alimentos na Europa e nos Estados Unidos. Muitas vezes, estes programas têm uma boa razão para existir, por questões de segurança energética - afirmou.
Mas o chefe do Bird comparou o modelo brasileiro de produção de etanol com o norte-americano, em especial, que segundo ele, pode ter um peso negativo diante da atual inflação de alimentos.
- 'Existem algumas incongruências quando você tem ao mesmo tempo subsídios e tarifas, como nos Estados Unidos - afirmou.
O etanol norte-americano é feito a base de milho e conta com fortes subsídios por parte do governo do país. Para entrar nos Estados Unidos, o etanol brasileiro enfrenta uma tarifa de US$ 0,54. Analistas vêm criticando o etanol norte-americano, sob o argumento de que ele estaria contribuindo para a alta do milho e, ao encarecer o cereal, contribuindo para aumentos de preços de produtos bovinos e suínos, já que o milho é usado em rações animais.
- Se estes países decidem adotar programas de biocombustíveis, quer por segurança energética ou por outros motivos, eles precisam olhar com atenção, quando temos chamados de emergência, como agora - afirmou.
Para Zoellick, os combustíveis alternativos fazem parte do ''quebra-cabeças atual, pois estão ligados a uma série de temas, entre eles o desmatamento, o plantio de diferentes colheitas e a alta de preços de energia e de alimentos. O presidente do Bird também elogiou a adoção do programa de etanol celulósico, que é produzido a partir de produtos não comestíveis, como espigas de milho, milho, lascas de madeira e grama.
Ministro da Fazenda
Os comentários de Zoellick pareceram endossar os feitos no discurso do ministro da Fazenda, Guido Mantega, durante a reunião do Comitê de Desenvolvimento do FMI e do Banco Mundial sobre a transferência de recursos para países em desenvolvimento. Segundo Mantega, ''biocombustíveis feitos a partir de cana-de-açúcar mostraram-se uma tecnologia promissora em muitos países em desenvolvimento. Eles devem receber apoio como uma fonte estratégica de energia limpa capaz de gerar benefícios ambientais, sociais e econômicos''.
O ministro também criticou a política norte-americana de subsídios.
- As pesquisas atuais fortemente corroboram o argumento contrário aos mercados altamente protegidos e subsidiados de biocombustíveis dos países desenvolvidos - disse.
O impacto dos biocombustíveis sobre a produção de alimentos será um dos temas debatidos na 30ª Conferência Regional para a América Latina e Caribe da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), com início nesta segunda-feira, em Brasília.