Rio de Janeiro, 29 de Setembro de 2026

Biopirataria também ameaça a Amazônia Azul

Um tesouro escondido no fundo do mar, repleto de riquezas minerais e biológicas espalhadas por mais de quatro milhões de quilômetros quadrados. A Amazônia Azul é um patrimônio nacional, ainda desconhecido por boa parte dos brasileiros. O território apresenta enorme potencial de desenvolvimento para o País e, assim como a Amazônia verde, está ameaçado pelos interesses internacionais e pela biopirataria. (Leia Mais)

Quinta, 11 de Junho de 2009 às 06:45, por: CdB

Um tesouro escondido no fundo do mar, repleto de riquezas minerais e biológicas espalhadas por mais de quatro milhões de quilômetros quadrados. A Amazônia Azul é um patrimônio nacional, ainda desconhecido por boa parte dos brasileiros.

O território apresenta enorme potencial de desenvolvimento para o País e, assim como a Amazônia verde, está ameaçado pelos interesses internacionais e pela biopirataria.

Algumas iniciativas já foram tomadas no sentido de reunir esforços para definir estratégias de melhor aproveitamento e exploração da região.

Em dezembro de 2008, o governo lançou o 7º Plano Setorial para os Recursos do Mar (PSRM). Em março último, terminou o 4º Ano Polar Internacional, cujo objetivo foi o de desenvolver pesquisas científicas para conhecer os ambientes nos pólos Ártico e Antártico, suas mudanças climáticas e a interação com o meio ambiente da Terra.

No mês passado, a Universidade Federal de Rio Grande (Furg), no Rio Grande do Sul, sediou o 1º Fórum Brasileiro da Amazônia Azul e Antártica, que trouxe reflexões acerca das necessidades e dificuldades das pesquisas marítimas e na Antártica. 

O Fórum reuniu por três dias mais de 500 participantes, entre estudantes de graduação, pós-graduação, pesquisa e técnicos dos ministérios do Meio Ambiente (MMA), Ciência e Tecnologia (MCT), Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca (Seap) e Marinha.

Além de discussões sobre a importância dos oceanos, do mar e Antártica, o encontro versou sobre avanços de cooperação oceanográficos e o uso das pesquisas como estratégia econômica para explorar o potencial pesqueiro.  No fim dos debates, os participantes apresentaram uma síntese das propostas, que fará parte de um documento a ser encaminhado ao Congresso Nacional.

O relatório final apresentado no fórum alerta para a necessidade de que os temas do oceano, dos mares e da Antártica tenham a devida relevância por parte das políticas públicas. Outro desafio apontado, diz respeito à quantidade e continuidade de recursos destinados às pesquisas no mar.

– É importante dar a esta área o correspondente prestígio, tendo em vista seu potencial econômico e social –, disse a vice-presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT), Wrana Panizzi, que representou o ministro Sergio Rezende na mesa de encerramento do Fórum.

O documento salienta ainda a importância da formação e preparação de profissionais, além de chamar a atenção para questões de caráter mais operacional, como a valorização da experiência embarcada como instrumento de formação de recursos humanos.

E, mesmo com os avanços da cooperação da comunidade na área oceanográfica, é preciso que haja colaboração internacional e entre as instituições.

No final do 1º Fórum Brasileiro da Amazônia Azul, a Seap e a Furg assinaram um Acordo de Cooperação Técnica que possibilita ações conjuntas para o desenvolvimento da cadeia produtiva da anchoíta, um pescado comum na costa brasileira, mas que ainda é pouco aproveitado economicamente.

O acordo também pretende promover ações para consolidar a pesca da anchoíta no País, fortalecer a indústria pesqueira de Rio Grande e elaborar produtos de anchoíta para consumo direto humano, priorizando a alimentação escolar.

O Fórum se encerrou com o lançamento do livro Mar e Ambientes Costeiros, organizado pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE/MCT). A publicação, que reúne trabalho de  vários pesquisadores da área de oceonografia, sugere ações a serem empreendidas para subsidiar políticas públicas não apenas para o desenvolvimento da ciência, mas também para o aproveitamento dos recursos naturais do mar.

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