Rio de Janeiro, 03 de Fevereiro de 2026

Biocombustíveis vão encarecer os preços dos alimentos

O que parecia ser uma solução para diminuir os riscos do efeito estufa na Terra vai provocar o aumento do preço de produtos agrícolas nos próximos dez anos. A conclusão é de um da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). (Leia Mais)

Quarta, 04 de Julho de 2007 às 11:12, por: CdB

O que parecia ser uma solução para diminuir os riscos do efeito estufa na Terra vai provocar o aumento do preço de produtos agrícolas nos próximos dez anos. A conclusão é de um da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO).

A OCDE prevê que o crescente uso de cereais, açúcar e óleos vegetais para satisfazer a necessidade da indústria de biocombustíveis, que se expande rapidamente, é um dos principais fatores que vão afetar o cenário agrícola nos próximos anos.

Substanciais quantidades de milho nos Estados Unidos, trigo na União Européia e cana-de-açúcar no Brasil serão usados na produção de etanol e biodiesel. "Isso está pressionando para cima os preços das safras e, indiretamente através das rações, os preços para os produtos animais também", diz o estudo Perspectiva Agrícola 2007-2016.

Segundo o relatório, o aumento vai beneficiar as exportações dos grandes produtores, como o Brasil. Mas os preços mais elevados dos produtos agrícolas representam uma preocupação para os países importadores e também para as camadas pobres das populações urbanas.

Isso, segundo o estudo, deve alimentar o debate corrente sobre a validade do uso dessas commodities para a produção de biocombustíveis, ao invés de direcioná-las para a alimentação.

Brasil

O estudo da OCDE e FAO prevê que a produção brasileira de oleaginosas, entre as quais a soja, vai ter um crescimento médio anual de 3,9% nos próximos dez anos. "O Brasil vai superar os Estados Unidos até 2009 como o maior exportador mundial de oleaginosos", afirma o levantamento.

Até 2016, a produção mundial de carne deve crescer 1,7% ao ano, principalmente devido ao aumento dos mercados consumidores do Brasil, China e Índia. "As exportações líquidas do Brasil devem superar as exportações combinadas dos outros quatro países produtores, assumindo uma fatia de 28% da vendas mundiais de carne."

A OCDE e a FAO prevêem que a produção brasileira de etanol deve continuar crescendo a taxas cada vez maiores, atingindo cerca 44 bilhões de litros até 2016, 145% a mais do que o registrado em 2006

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