A Polícia Federal afirmou nesta sexta-feira que investiga a existência de uma organização criminosa suspeita de vender decisões judiciais que favoreciam empresas e casas de bingo em São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul.
De acordo com investigações da Operação Têmis - em homenagem à deusa grega da Justiça -, empresários de casas de bingo chegavam a desembolsar, por exemplo, entre R$ 20 mil e R$ 30 mil por mês para que os estabelecimentos fossem mantidos abertos a partir de liminares judiciais. Segundo a PF, existiram bingos que pagavam R$ 150 mil de uma só vez a lobistas que atuariam junto a magistrados.
- O lobista fazia uma aproximação e convencia os magistrados envolvidos a conceder as decisões favoráveis. No caso dos bingos, isso garantia o funcionamento das casas -, disse Geraldo José de Araújo, superintendente da PF em São Paulo. Pelo menos dez decisões judiciais que beneficiaram bingos e uma multinacional, cujo nome não foi divulgado, estão sob investigação.
- As liminares envolvem diversos bingos, com pagamentos mensais. O valor depende da concessão e do tempo de duração da liminar -, afirmou Luiz Roberto Ungaretti Godoy, do Grupo de Combate ao Crime Organizado da PF.
As investigações tiveram início no ano passado e o foco não são apenas os bingos. Outro alvo da PF foram pessoas que conseguiam benefícios tributários obtidos a partir de decisões judiciais para compensar títulos da dívida pública que não tinham mais valor no mercado.
Até as 17h, foram cumpridos mais de 80 mandados de busca e apreensão em escritórios e casas de policiais civis, de um procurador da Fazenda Nacional, de juízes e desembargadores federais, empresários, advogados e lobistas. A PF apreendeu documentos e discos rígidos de computador na sede do Tribunal Regional Federal de São Paulo.
Bingos pagavam até R$ 30 mil por mês para manter liminares, diz PF
Sexta, 20 de Abril de 2007 às 16:06, por: CdB