Rio de Janeiro, 10 de Setembro de 2026

Bingos não repassam ao esporte valor que declaram

Os bingos declaram que repassaram ao esporte, em 2002, R$ 93 milhões, entretanto, 80% do valor, ou seja, R$ 75 milhões não chegaram as entidades esportivas que informaram à Receita que só receberam R$ 18 milhões. (Leia Mais)

Domingo, 07 de Março de 2004 às 09:28, por: CdB

Os bingos declaram que repassaram ao esporte, em 2002, R$ 93 milhões, entretanto, 80% do valor, ou seja, R$ 75 milhões não chegaram as entidades esportivas que informaram à Receita que só receberam R$ 18 milhões.

O presidente da Associação Brasileira de Bingos (Abrabin), Olavo Sales Silveira, confirmou que era repassado o valor de R$ 93 milhões e lamentou que o recurso deixaria de contribuir com o esporte, uma vez que o governo federal editou a Medida Provisória proibindo o funcionamento das casa de bingo, devido ao escândalo Waldomiro Diniz.

Sobre a diferença de valores, a Abrabin isentou-se de responsabilidade e infomou que os cálculos são uma atribuição de cada bingo. Já Silveira, ainda, não se manifestou.

Os bingos deveriam repassar, conforme a legislação, 7% do faturamento a associações esportivas. Segundo um relatório da Caixa Federal, divulgado em março do ano passado, por causa das dificuldades financeiras enfrentadas pelas associações muitas acabam aceitando valores menores do que o previsto na lei.

A Receita Federal e a Polícia Fedetal começaram investigar as operações e a contabilidade dos bingos cruzando com os dados das associações esportivas, quando Abrabin projetou que repassaria R$ 93 milhões, este ano ao esporte, mesmo valor de 2002. O fato levatou suspeita iniciando as investigações.

O Código Tributário Nacional exige que as associações ligadas aos bingos informem à Receita os valores recebidos. Mas a Polícia Federal do Rio descobriu que algumas entidades davam recibos maiores aos bingos do que o valor repassado e agora investiga se o mesmo acontece em outros estados. O dinheiro que não chega ao esporte seria dividido entre dono e administradores de bingos e cartolas ou com associados fantasmas.

O relatório da Caixa aponta ainda que as entidades esportivas assinavam procurações transferindo plenos podereres aos empresários do bingo ficando à margem do processo de gestão das casas, se limitando a receber as quantias declaradas, sem ter como confirmar a sua consistência, ou então, valores acordados previamente à revelia das disposições contidas na legislação.

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