O líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, foi um dos beneficiários de uma conta aberta em 1990 por sua influente família saudita no banco UBS em Zurique e fechada em 1997, um ano antes de os EUA o declarar oficialmente terrorista. De acordo com o jornal genebrês Le Temps, os titulares da conta, de número 575167, eram Yahia Bin Laden, diretor do grupo de construção Binladin, pertencente à família, e outro meio-irmão do terrorista mais procurado do mundo, Baqer Laden.
Segundo o porta-voz de UBS, Christoph Meier, Osama Bin Laden nunca foi titular de uma conta nesse banco nem figurou entre seus clientes. Apesar disso, os investigadores suíços acham que ele era um dos destinatários finais dos fundos depositados naquela conta de Zurique. A conta foi aberta para acolher parte do enorme patrimônio da influente e multimilionária família saudita dos Bin Laden.
Em 1990, quando começou a primeira guerra do Golfo, os Bin Laden temiam uma invasão de seu país pelo Iraque de Saddam Hussein. A fortuna administrada pelo UBS foi dividida em cinqüenta e oito partes, explica o jornal genebrês, segundo o qual se tratava de garantir a cada herdeiro, incluindo Osama Bin Laden, acesso a esse dinheiro em caso de o conflito se estender à Arábia Saudita. Uma vez terminada a guerra, se esvaziou a conta, que foi fechada finalmente pelo próprio banco em 1997.
Outro meio-irmão de Osama, Yeslam Bin Laden, homem de negócios que tem sua residência na Suíça, explicou ao Le Temps que seus dois meio-irmãos devem ter retirado o dinheiro que havia na conta. A soma reservada ao nome de Osama não devia superar o milhão de francos suíços, segundo os investigadores.
Estes descobriram também uma segunda pista vinculada ao braço direito de Bin Laden, Ayman Al-Zawahiri, que esteve várias vezes em território helvécio e abriu uma conta em seu nome em Genebra em 1989, segundo o porta-voz do Ministério Público federal. A conta foi fechada em 1993 e o dinheiro -50.000 francos- transferido para a Grã-Bretanha, país que não respondeu a um requerimento judicial das autoridades helvécias sobre o destino desses fundos.
Em 1991, Zawahiri esteve de novo em Genebra para dar uma conferência em companhia do xeque Omar Abdel Rahman, instigador do primeiro atentado contra o World Trade Center nova-iorquino, em 1993. As autoridades suíças descobriram além disso que o islâmico egípcio esteve em Zurique entre 1994 e 1993 com um passaporte falso com o homem de "Mu'iz" (Moisés) no transcurso de uma viagem por vários países europeus para organizar a rede da Al-Qaeda.
A Suíça lançou, por outro lado, uma operação ultra-secreta em torno de Jaled Mohamed, "cérebro" dos atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos e que desde o Paquistão se comunicava com seus peões mediante telefones portáteis suíços com cartões pré-pagos da companhia helvécia Swisscom. A Swisscom pôs, no entanto, à disposição dos investigadores os dados de todas as chamadas que entravam e saíam do telefone de Jaled Mohamed, que utilizou esse tipo de cartão e dezenas de números de telefones portáteis suíços até setembro de 2002. As pistas telefônicas deixadas por aquele, que foi detido em março de 2003 em Rawalpindi (Paquistão), permitiram desmantelar várias células da Al-Qaeda na Arábia Saudita e na Ásia.
Bin Laden usou conta aberta em banco suíço
Quinta, 04 de Dezembro de 2003 às 06:44, por: CdB