Rio de Janeiro, 07 de Fevereiro de 2026

Bin Laden está bem

Segunda, 15 de Julho de 2002 às 19:10, por: CdB

O saudita Osama bin Laden, principal suspeito de terrorismo pelos Estados Unidos, está vivo e goza de boa saúde, apesar de ter sido atingido por estilhaços durante um bombardeio norte-americano contra o Afeganistão, disse nesta segunda-feira o editor de um jornal publicado em árabe com sede em Londres. Abd al-Bari Atwan, editor do Al-Quds Al-Arabi, disse que fontes próximas do milionário saudita líder da organização Al-Qaeda "confirmou que o homem (Bin Laden) está bem de saúde". Atwan disse que Bin Laden, acusado por Washington de ser o mentor intelectual dos atentados de 11 de setembro, foi ferido em dezembro, durante um ataque retaliatório dos EUA contra o Afeganistão. Ele foi submetido a uma cirurgia para retirar estilhaços de munição do ombro esquerdo. O editor recusou-se a responder questões referentes a "segurança" e manteve sob sigilo a identidade da fonte e a forma como ele obteve as informações sobre Bin Laden. Em Cabul, o governo do presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, ordenou nesta segunda-feira o desarmamento de todos os Exércitos particulares do Afeganistão, inclusive as milícias pertencentes aos senhores da guerra que lutaram uns contra os outros durante anos, disse um autoridade local. Não está claro como a ordem será imposta. A decisão - que poderá causar insatisfação entre diversos senhores da guerra e grupos armados - foi tomada durante reunião de gabinete presidida por Karzai, disse um porta-voz da presidência, Syed Fazl Akbar. O vice-secretário de Defesa dos EUA, Paul Wolfowitz, disse hoje, após encontro com Karzai na capital afegão, que as forças norte-americanas podem ter cometido um erro num ataque aéreo que teria matado dezenas de civis no Afeganistão, mas a caçada aos militantes da Al-Qaeda e do Taleban durarão "o tempo que for preciso". Autoridades afegãs acusam os norte-americanos de terem assassinado 48 civis e ferido outros 117 em 1º de julho, quando um AC-130 abriu fogo contra diversos vilarejos na província de Uruzgão. Entre os mortos, estão 25 pessoas que participavam de uma cerimônia de casamento, acusam os afegãos. Os militares norte-americanos insistem que os ataques foram lançados depois de suas forças terem sido alvo da artilharia antiaérea em alguns vilarejos. Uma comissão conjunta afegã-americana investiga o incidente. "Lamentamos profundamente a morte de algum inocente - e todas as evidências sugerem que pessoas inocentes foram mortas", disse Wolfowitz. Ainda hoje, o porta-voz presidencial Syed Fazl Akbar disse que os Estados Unidos, a Alemanha e outros países amigos serão chamados para ajudar se os mantenedores de paz internacionais e os investigadores afegãos não conseguirem encontrar os responsáveis pela morte do vice-presidente do país, Abdul Qadir, assassinado recentemente.

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