Ex-presidente norte-americano, Bill Clinton tem atraído "platéias sonolentas e minguadas" durante a campanha da mulher, Hillary, afirma reportagem publicada nesta segunda-feira pelo jornal americano The New York Times. O jornal comentou a participação do ex-presidente nos eventos de campanha da mulher no Estado de New Hampshire, depois que Hillary chegou em terceiro lugar na votação de Iowa, na semana passada, atrás de seus adversários democratas, os senadores Barack Obama e John Edwards.
– Ele entrou para receber aplausos comedidos e falar para várias fileiras de assentos vazios na Universidade de New Hampshire, na sexta-feira. No dia seguinte, em outra palestra que poderia ter atraído uma multidão, apenas 225 pessoas, um terço da capacidade máxima, compareceram – cita o jornal.
Ainda segundo o New York Times, desde o mau desempenho de Hillary na semana passada, uma das narrativas "mais articuladas" de sua campanha tem sido o emprego do slogan "Bill para resgatar". A idéia visa repetir os feitos do ex-presidente nas primárias de New Hampshire em 1992, quando, em uma reviravolta inesperada, terminou em segundo lugar, atrás de Paul E. Tsongas.
Na época, ele ficou conhecido como o "garoto da volta por cima", lembra o New York Times:
"Dezesseis anos mais tarde, Clinton está de volta a New Hampshire, a serviço da campanha amarrada da mulher e querendo estender a era". Mas agora a história é outra, avalia o jornal. "Ele não é o candidato da vez e não conta com os recursos necessários de um candidato, como arquibancadas lotadas."
Em reportagem também publicada nesta segunda-feira, o diário americano Los Angeles Times lembra que o "efeito Lázaro" que levou Clinton a se sair bem em New Hampshire em 1992 pode indicar que ainda é "prematuro prever o fracasso de Hillary na corrida presidencial". No entanto, pondera o LA Times, o discurso da senadora "concentrado em valorizar sua experiência" parece não surtir efeito junto aos eleitores.
"Há sinais de que essa estratégia esteja se esfarelando", avalia o jornal.
O diário cita uma pesquisa que mostra que seis entre dez eleitores ligados ao Partido Democrata dizem que julgam mais importante "eleger um candidato que proponha mudanças, como Obama, do que um com experiência".