Rio de Janeiro, 22 de Maio de 2026

Bienal de Veneza estréia com temas polêmicos

A Bienal de Veneza, a mais prestigiada mostra de arte internacional da Europa, estréia sua 51ª edição, no domingo, com temas bastante polêmicos. De Francis Bacon a Antonio Tápies, passando por absorventes higiênicos internos, vídeos masoquistas e "performances" delirantes, a 51ª edição da Bienal de Veneza, explora as inquietações passadas e presentes da arte contemporânea com um olhar feminino. (Leia Mais)

Sexta, 10 de Junho de 2005 às 03:39, por: CdB

A Bienal de Veneza, a mais prestigiada mostra de arte internacional da Europa, estréia sua 51ª edição, no domingo, com temas bastante polêmicos. De Francis Bacon a Antonio Tápies, passando por absorventes higiênicos internos, vídeos masoquistas e "performances" delirantes, a 51ª edição da Bienal de Veneza, explora as inquietações passadas e presentes da arte contemporânea com um olhar feminino.

Pela primeira vez desde sua primeira edição em 1895, a mostra é dirigida por duas mulheres, as espanholas María Corral e Rosa Martínez, que decidiram contar o passado recente e o presente em constante transformação da arte.

As duas curadoras, de formação e caráter muito diferentes, reuniram na tradicional sede dos Jardins e no espaço do Arsenal 91 artistas de 71 países, dos quais 12 são latino-americanos.

Há muitas artistas mulheres nessa Bienal e suas obras são tão impactantes em termos de forma e conteúdo que acabam lançando um dardo no coração do mundo da arte.

A portuguesa Joana Vasconcelos, de 34 anos, por exemplo, criou uma gigantesca lâmpada com 14 mil absorventes higiênicos internos, que fica na entrada da mostra do Arsenal, intitulada <i>Sempre um pouco mais longe</i>. Segundo a curadora, Rosa Martínez, a exposição do Arsenal propõe uma reflexão sobre o papel da arte e da própria Bienal como espaço para debate.

Os enormes cartazes subversivos do grupo artístico americano <i>Las Guerrillas Girls</i>, criado em 1985, condenam com humor pop e ironia a pequena presença de mulheres em exposições e museus e marcam com um caráter feminista e político a mostra veneziana. Por cinco meses, o público poderá contemplar, aceitar e até rechaçar a seleção feita por Martínez, que traz obras de 49 artistas, sendo nove latino-americanos. Desses nove, cinco são mulheres.

Ao percorrer os 9 mil metros quadrados do Arsenal, entre vídeos, instalações, fotografias e esculturas, com artistas plásticos transformados em atores de "performances", percebe-se uma espécie de globalização da arte, com métodos e uma busca de linguagens similares em quase todos os lugares do planeta, da Palestina às Filipinas, passando pela inovadora China.

A artista guatemalteca Regina José Galindo, de 31 anos, usa seu corpo como objeto de arte. Um vídeo mostra a artista fechada numa caixa, na qual flagela-se 300 vezes em homenagem às 300 mulheres de seu país assassinadas em um ano.

Já a colombiana María Teresa Hincapié de Zuluaga, de 51 anos, apresenta movimentos lentos numa instalação e numa performance chamada <i>O espaço se move devagar</i>. Os visitantes caminham entre velas, montículos de terra e ouvem uma música fascinante. A obra parece um pedido, feito através do corpo, de "silêncio para voltar a ouvir, de silêncio para voltar a ver", explicou a artista. Como um chamado para descobrir a outra cara da arte, a brasileira Rivane Neuenschwander, de 38 anos, modifica sete velhas máquinas de escrever colocando pontos no lugar de letras, para que o visitante não escreva nada. A obra pretende ser uma mensagem contra a escritura, enquanto <i>Centro de atenção</i> convida o visitante a colocar-se num cadafalso para simular o próprio funeral.

A enorme nave espacial dos sentimentos da conhecida japonesa Mariko Mori oferece um instrumento para cruzar ondas cerebrais entre visitantes, um jogo seguramente muito feminino.

- O labirinto que proponho está mais próximo de um centro de experimentação do que de um acúmulo de certezas - disse María Corral ao apresentar nos Jardins venezianos a mostra "A experiência da arte" com obras de 42 artistas de todo o mundo, sendo quatro latino-americanos.

A leitura dos últimos 50 anos da arte proposta por Corral, controvertida ex-diretora do Centro de Arte Reina Sofia de Madri (1991-1994), reúne grandes nomes da arte contemporânea, como Francis Bacon, cujos cinco óleos e trípticos alaranjados

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