A 26a edição da Bienal de Artes de São Paulo, de 25 de setembro a 19 de dezembro, terá entrada gratuita, garantiu na quinta-feira o presidente da Fundação, Manoel Francisco Pires Da Costa.
``Nós vamos abrir os portões. A Bienal vai ser gratuita este ano, do primeiro ao último dia'', disse Pires Da Costa à Reuters.
Ele completou que, mesmo assim, haverá catracas e ingressos para controlar o acesso do público. Por enquanto, está sendo estudada como será a distribuição dos ingressos gratuitos.
``Isso não será definitivo porque não sei se daqui a dois anos a Bienal terá condições de fazer a mesma coisa. Então esse será um presente para os 450 anos de São Paulo.''
A espera agora é atingir 1 milhão de visitantes, contra os cerca de 600 mil da edição passada.
Segundo Pires da Costa, a Bienal planeja fazer uma homenagem aos 100 anos do artista modernista Cândido Portinari (1903-1962). Em um espaço de 200 metros quadrados, ao lado de duas pinturas ainda não selecionadas, estará sendo exibido o catálogo virtual da obra e vida de Portinari.
A obra foi organizada durante 20 anos pelo Projeto Portinari, liderado pelo filho do pintor, João Cândido. São mais de 5.000 pinturas, desenhos e gravuras e 25.000 documentos que foram reunidos por todo o Brasil e catalogados neste trabalho.
A Bienal deste ano, que terá como tema ``Território Livre'', contará com cerca de 150 artistas contemporâneos de 62 países. Do Brasil, serão cerca de 18 artistas a ser escolhidos pelo curador-geral, o alemão Alfons Hug, mesmo da 25a edição.
O curador responsável pela representação brasileira, que este ano será de apenas um artista (contra os 23 do ano passado), será Nelson Aguilar.
O evento está orçado em cerca de 14 milhões de reais e, segundo o presidente da Fundação, um pouco mais de 10 milhões de reais já estão garantidos por uma emenda de bancada (proveniente do orçamento público para os Estados).
Quando questionado sobre o menor número de artistas e de orçamento (a 25a Bienal foi orçada em 18 milhões de reais), Pires da Costa foi enfático. ``Maior seletividade'', afirmou.
``Acho que veio muita coisa na 25a que não tinha razão de ser, principalmente artistas brasileiros, que vieram em uma quantidade exagerada, ou representações de alguns países como do Caribe ... que não tinham nada de importante'', disse.
Cerca de 35 a 40 por cento das obras serão pinturas, enquanto que 20 por cento fotografias. ``O resto vamos ter dessas coisas modernas que eu não gosto, mas que fazem parte'', disse ele se referindo a vídeos, instalações e meios eletrônicos.
Entre os artistas brasileiros já confirmados estão Caio Reisewitz, Paulo Climachauska, Laura Vinci, Paulo Brusky, Beatriz Milhazes, Artur Barrio, Karim Ainouz, Thiago Bortolotto, Fabiano Marques, o grupo Chelpa Ferro, Lívia Flores, Rosana Palazyan, Cabelo, Walmor Correa e a dupla Angela Detanico e Rafael Lain.
Dos estrangeiros, estão confirmados Luc Tuymans, Markus Muntean, Adi Rosenblum, Gerde Steiner, Jorg Lenzigler, Henrik Hakansson, Mathias Weischer, Johanna Kandl, Lois Renner, Yoshihiro Suda, Edward Burtynsky e Aernout Mik.