Quando Severino Cavalcanti foi eleito, fiquei observando, bestificado, a reação da mídia nacional. Rapidamente uma série de chacotas foi lançada sobre ele e sobre o "baixo clero" do Congresso. A imagem nacional repassada é que estávamos diante de um idiota que, sabe-se lá como, tinha dado uma rasteira no PT do Lula.
Besta é quem pensa que o Severino é besta. Os severinos têm profundo conhecimento da máquina política local e nacional, como ela funciona e como se deve fazer para dominá-la, inclusive no jeito de lidar com o povo. Um professor, ministrando um curso sobre a formação histórica da Bahia, nos dizia: "observem como essas pessoas são astutas. Não é por acaso que se passam os séculos e elas continuam no poder. Ninguém tem o domínio da máquina do poder local que elas têm". Poderíamos acrescentar que esse é o modo que aprendem desde criança na cozinha e depois levam para o nível nacional.
A mídia nacional confundiu o despudor ético de Severino com idiotice. Ele é sagaz, astuto como raposa e politicamente despudorado.
Mas o que relevância tem Severino em nossas importantes questões? Não é o FMI e as transnacionais que decidem tudo no mundo globalizado? É verdade, mas muitas vezes dependem do voto dos severinos lá no Congresso. É aí que toda malícia política cumpre seu papel e onde arrancam seu naco no bolo das elites nacionais e transnacionais.
Então, entram os militares, entra Sarney, Collor, Fernando Henrique, Lula e o modo de fazer política no Brasil não muda. E sabem por quê? Exatamente porque quem dá as regras no jeito de fazer política no Brasil é Severino e seus assemelhados. Quem aceita as regras deles, acaba idêntico a eles, até porque as benesses do poder têm uma sedução que os simples mortais parecem sequer imaginar. Quem pensa que Rondônia é exceção, é porque não sabe o que seja a regra. Se o voto de um deputado de lá vale cinqüenta mil, ou duzentos mil, quanto valeu o voto de um deputado nas grandes privatizações? Essa pergunta, não sou eu que faço, foi Hobsbaw em seu "Breve Século XX".
O PT quis durante algumas décadas ser eticamente diferente. Desistiu. De forma que, em termos de ética política, voltamos à estaca zero, isto é, voltamos ao modo Severino de ser e fazer.
Enfim, as cobras trocaram de pele, mas não perderam veneno.
Besta és tu, não o Severino!
Quando Severino Cavalcanti foi eleito, fiquei observando, bestificado, a reação da mídia nacional. Rapidamente uma série de chacotas foi lançada sobre ele e sobre o "baixo clero" do Congresso. A imagem nacional repassada é que estávamos diante de um idiota que, sabe-se lá como, tinha dado uma rasteira no PT do Lula. (Leia Mais)
Quarta, 25 de Maio de 2005 às 18:55, por: CdB