Ricardo Berzoini venceu a disputa e é o novo presidente nacional do PT, garantindo o posto mais alto do partido ao Campo Majoritário, grupo que comanda a legenda há dez anos. Mas o candidato derrotado, Raul Pont, quer fazer valer sua votação para trazer mudanças na legenda. Apurados 226.324 votos, de um total estimado em 230 mil, Berzoini tem 112.348 (51,6% dos votos válidos) contra 105.257 de Pont, segundo o quarto boletim parcial divulgado pelo PT.
Embora a apuração não tenha sido encerrada, o próprio Pont já reconheceu a vitória do candidato do Campo Majoritário.
- Já com conversei com ele (Berzoini), já o cumprimentei pela vitória - disse Pont. Ex-prefeito de Porto Alegre e deputado estadual, ele foi candidato da Democracia Socialista e apoiado por outras tendências da esquerda petista.
Deputado federal, Berzoini é secretário-geral do partido e foi escolhido candidato do Campo Majoritário depois que o atual presidente, Tarso Genro, desistiu da disputa. A vitória de Berzoini garante ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um comando do PT em melhor sintonia com o governo, já que Pont, assim como a esquerda do partido em geral, é duro crítico da política econômica e tem ressalvas crescentes à estratégia de alianças da legenda nas campanhas eleitorais.
Mas a vida de Berzoini à frente do PT pode não ser tão fácil como foi a dos presidentes dos últimos anos, José Dirceu e José Genoino, em termos de composição interna. No primeiro turno das eleições internas, que definiu a nova composição do Diretório Nacional, o Campo Majoritário perdeu a maioria anterior. Em um total de 81 vagas, o número de cadeiras do Campo caiu de 42 para 34.
Isso não significa, porém, que o ex-ministro do Trabalho e da Previdência Social terá que presidir o partido aliado a uma minoria, já que o crescimento da esquerda não foi tão forte no Diretório Nacional e o Campo poderá compor com as tendências de centro.
Êxito e legitimidade
Para Pont, o número de militantes que compareceu à eleição interna - 315 mil no primeiro turno e agora os estimados 230 mil - representa um êxito para o partido. E a votação obtida por sua candidatura garantiu "uma maior legitimidade" ao discurso da oposição dentro do PT.
- Já conversei com o Berzoini e outras lideranças e eles reconhecem o peso e a importância da votação para as nossas teses - disse Pont.
Diante dos resultados, Pont disse que vai "buscar consensos" para propor mudanças na política econômica, com redução da taxa de juros, das metas de superávit primário e aumento dos investimentos produtivos, entre outras medidas.
- Para que o crescimento econômico seja superior a essa média pífia que temos nesses três anos - disse o deputado.
Já para superar a crise política que atinge o PT há cinco meses, Pont defendeu um posicionamento do Diretório Nacional sobre os ex-dirigentes e deputados do partido acusados de envolvimento no escândalo do "mensalão":
- Temos que trabalhar para que tanto as CPIs como a nossa comissão de ética trabalhem o mais rápido possível para que apresentem ao Diretório Nacional para deliberar sobre punições ou não para cada caso.
Além disso, o partido, juntamente com o governo, deveria apresentar, sua própria proposta de reforma política, para que a população "possa saber qual é a posição e o que o PT defende sobre isso".
Oposição aberta
Há pouco mais de um mês, o novo presidente do PT, Ricardo Berzoini, nem sequer era candidato ao principal posto no partido que levou Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto. Deputado federal por São Paulo, ele substituiu na disputa o ex-ministro da Educação Tarso Genro, que buscava se afastar da antiga cúpula petista. Próximo ao governo e integrante do Campo Majoritário, tendência que comanda o PT há dez anos, Berzoini sofreu oposição aberta de praticamente todas correntes da sigla, por representar, de acordo com