Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Berzoini reconhece falha na comunicação do governo Dilma

Sábado, 14 de Março de 2015 às 16:09, por: CdB
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Berzoini acredita que o governo tem que mudar a forma como se comunica
O governo da presidenta Dilma Rousseff (PT) tem cometido falhas graves na sua comunicação. O mea culpa é do ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, para quem a sociedade quer ouvir a verdade tanto sobre o ajuste fiscal quanto sobre os desafios políticos. O petista diz que há uma página em branco no projeto de regulação da mídia. Berzoini acrescenta que, se o governo levar uma proposta sem consenso com os demais setores envolvidos, o projeto nem chegará a tramitar no Congresso. Sobre as manifestações, em uma entrevista publicada nesta sábado, disse que o Brasil consolidou a cultura de participação pelas redes sociais, que acelera as mobilizações. E que não há razão para tratar as manifestações como problema. – Quanto mais a gente politizar e mostrar o que está em jogo e o que pode ser feito, é bom – afirmou. Ainda sobre os protestos, Berzoini acrescentou: – Não me surpreenderia se houver uma presença elevada de público. Especialmente porque temos um momento político com vários desafios colocados para o governo e para o Brasil. Segundo o ministro, o governo precisa "estabelecer uma dinâmica de comunicação que permita as pessoas saberem desses desafios de maneira didática, tanto na questão econômica, que assumiu uma complexidade que não tinha há um ano, como na política, com a repercussão da Lava Jato, que coloca o tema negativo da corrupção. – Nosso erro foi termos nos comunicado mal – afirmou. Quanto à crise em que o governo se encontra, faltou "uma interlocução mais objetiva", na opinião do ministro. – Acho que o governo, no conjunto, e eu me incluo, não fez uma interlocução mais objetiva, o que prejudica a percepção das pessoas do que está em jogo. O Brasil enfrentou durante seis anos uma crise mundial de altíssimo impacto, e apesar disso conseguimos a menor taxa de desemprego da história em dezembro e elevação real de 70% do salário mínimo. Mas, ao mesmo tempo, esgotamos os espaços fiscais. Mas a crise foi muito além. Estamos entrando no sétimo ano de crise internacional. Não quero, no entanto, atribuir somente as nossas dificuldades à crise interna – disse. Economia Berzoini acrescentou que, "na avaliação da duração da crise e na utilização dos mecanismos anticíclicos, talvez tenhamos ido um pouco além do que era possível, e talvez até aquém do que era necessário. – Então agora é hora de reorganizar o orçamento sem prejudicar as políticas sociais fundamentais e sem comprometer os investimentos mais fundamentais. Não é um ajuste do tipo 'para tudo' , mas essencial para chegar em 2016 com crescimento significativo – afirmou. Na regulação da mídia, tema caro a milhões de brasileiros, o ex-presidente do PT quer que sejam abertos "debates públicos no fim do semestre". – Vamos abrir diálogo muito amplo e sem prazo para encerrá-­lo. Nesse tema, se não afastarmos os mitos e maniqueísmos não iremos a lugar nenhum especialmente numa conjuntura difícil como a que temos hoje. O governo não pode ficar nem surdo a quem diz que não tem que ter mudança nenhuma nem mundo com aqueles que dizem que tem que ter mudança profunda. Não será o ministério que fará proposta isoladamente. Vamos buscar algum grau de entendimento. Eu diria que hoje ninguém tem hegemonia sobre esse assunto. A leitura que se faz é do monopólio e oligopólios. Vários países têm legislações sobre isso. Como não tenho uma propposta referencial, vou buscar que o debate comece com a cabeça aberta. Não tem proposta de restrição de conteúdo. Não há razão para partirmos de uma opinião de um governo, que não é de um partido só. E tem que discutir o papel da internet, de tudo, empresas de conteúdo. Aquelas que usam a rede e a que faz a infraestrutura da rede – concluiu.
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