Rio de Janeiro, 28 de Março de 2026

Berzoini estranha desinteresse sobre conteúdo de dossiê

Presidente do PT, Ricardo Berzoini foi chamado para uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na manhã desta quarta-feira, no Palácio do Planalto. (Leia Mais)

Quarta, 20 de Setembro de 2006 às 10:44, por: CdB

A Polícia Federal ouvirá três supostos envolvidos na compra do Dossiê Serra para, então, pedir esclarecimentos ao presidente do PT, Ricardo Berzoini, que se reuniu na manhã desta quarta-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula cobrou explicações sobre o escândalo. Lula convocou a reunião, no Palácio da Alvorada, para tratar da suposta compra de um dossiê pelo PT contra os tucanos José Serra, candidato ao governo de São Paulo, e Geraldo Alckmin, candidato à Presidência.

Ao deixar o encontro, Berzoini garantiu que permanece como coordenador da campanha de Lula e estranhou o fato de o noticiário não destacar o conteúdo do dossiê.

- Não há qualquer iniciativa da coordenação da campanha em relação a esse episódio. Trabalhamos para que a Polícia Federal possa solucionar essa questão o mais rapidamente. Mas é de se estranhar que nenhum dos fatos contidos nesse dossiê tenha sido divulgado na mídia - afirmou Berzoini.

Participaram do encontro, além de Berzoini, os ministros Tarso Genro (Relações Institucionais) e Márcio Thomaz Bastos (Justiça), o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), o chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, e o publicitário da campanha, João Santana. O presidente do PT chegou para a reunião sem falar com a imprensa.

Jorge Lorenzetti, que até esta terça-feira fazia parte da coordenação de campanha do presidente, é apontado como um dos mandantes da negociação do documento. Expedito Afonso Veloso é diretor da área de Gestão de Riscos do Banco do Brasil e supostamente teria recepcionado Valdebran Padilha da Silva, o intermediário de Luiz Antônio Vedoin, principal envolvido no esquema dos sanguessugas e que teria produzido e tentado vender o dossiê. Oswaldo Bargas foi secretário do Ministério do Trabalho durante a gestão de Berzoini e procurou jornalistas da revista "Época" para oferecer material contra "políticos de renome", com "fotos, vídeos e documentos", o que levantou suspeitas de que também soubesse do dossiê.

Embora dirigentes do PT acreditassem na possibilidade de renúncia de Berzoini nas próximas horas, o presidente petista diz que permanece no cargo. Ele estaria prestes entregar o cargo de coordenador nacional da campanha de Lula por não ter condições políticas para se sustentar na presidência do partido, mas a situação foi aparentemente revertida.

- A coordenação da campanha é prerrogativa da candidatura, se a candidatura decidir afastar, evidentemente, é prerrogativa do presidente Lula, ele tem total liberdade para isso. Evidentemente que ele (Lula) não colocou para mim essa hipótese - disse Berzoini a jornalistas. 

Investigações

Segundo um assessor da PF, em Cuiabá, antes de ouvir Berzoini, a polícia deverá, primeiro, ouvir os outros três suspeitos.

- Só a partir daí vamos pensar no Berzoini - disse. Questionado sobre a chance de Berzoini ser ouvido, o assessor disse que "tudo indica que sim".

Em todos os casos, a PF entrará em contato com os petistas e, caso não se disponham a falar, vai intimá-los. Lorenzetti já entrou em contato com a PF e se ofereceu para depor. Segundo nota divulgada pela revista "Época" na terça-feira, Bargas e Lorenzetti ofereceram o dossiê à revista. Os dois teriam avisado o presidente do PT sobre o encontro, mas Berzoini alega não ter tido conhecimento do assunto a ser tratado.

Quanto à origem do dinheiro, a PF segue investigando e espera receber a fita de vídeo com imagens do circuito interno de segurança do hotel em São Paulo onde foram presos Gedimar e Valdebran.

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