Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Berlusconi volta a ser julgado na Itália

Sexta, 16 de Abril de 2004 às 09:53, por: CdB

O julgamento por corrupção do primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, recomeçou nesta sexta-feira depois de dez meses suspenso. E recomeçou de forma turbulenta, com os promotores acusando o juiz encarregado do caso de parcialidade.

O processo foi paralisado em junho passado depois de o Parlamento ter aprovado uma lei que concedeu imunidade a Berlusconi durante o mandato dele. Meses depois, a mais alta corte do país considerou nula a lei, permitindo a retomada da ação penal.

O painel original formado por três juízes deixou o caso por motivos legais. Nesta sexta-feira, os promotores reclamaram que o novo juiz presidente, Francesco Castellano, havia se comprometido ao dar entrevistas simpáticas a Berlusconi. Eles pedem que ele deixe o processo.

``A imparcialidade do juiz é um princípio cardeal de nossa democracia'', afirmou a promotora Ilda Bocassini. ``O fato de ele ter dado entrevistas é uma grande interferência para um caso em andamento.''

Mas o painel de juízes, presidido por Castellano, acabou recusando o pedido da promotoria depois de três horas de debate.

Berlusconi é acusado de ter subornado juízes para impedir que, nos anos 80, a empresa estatal SME fosse vendida a um empresário rival. O premiê diz ser inocente.

Em uma entrevista concedida em 2002 ao jornal Il Giornale, de propriedade do irmão de Berlusconi, Castellano disse que o julgamento do dirigente não era ``normal.'' Ele também disse que os juízes anticorrupção na Itália sempre se focaram muito nos interesses empresariais do primeiro-ministro.

O premiê sempre acusou os juízes italianos de liderarem uma campanha contra ele, motivada por temas políticos. O julgamento começou em 2000. Apesar de o caso contra Berlusconi ter sido suspenso em junho, as audiências com outros réus continuaram.

Em novembro, Cesare Previti, ex-advogado do premiê, foi considerado inocente das acusações relacionadas com a SME, mas foi condenado a cinco anos de prisão por corrupção relacionada com o império empresarial de Berlusconi.

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