O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, ofereceu um ramo de oliveira a seus aliados nesta quarta-feira, indicando estar pronto para modificar seu programa de reformas a fim de manter seu governo unido.
Em declarações diante do Senado, Berlusconi previu que seu governo de centro-direita sobreviveria até o fim da atual Legislatura, em 2006, e pediu que seus parceiros de coalizão superassem suas diferenças, que paralisaram seu gabinete.
O seu maior crítico dentro da base governista, a União Democrática de Centro (UDC), recebeu bem o discurso, que tratou de várias áreas delicadas das políticas do premiê, mas sem fazer menção sobre o substituto de Giulio Tremonti no cargo de ministro da Economia.
Tremonti viu-se obrigado a renunciar ao comando da pasta no começo do mês, depois de ter se envolvido em uma disputa dentro da base governista. A escolha do substituto dele quase levou os membros da coalizão a romperem relações.
Berlusconi disse que seu governo tinha um "programa ambicioso", mas acrescentou: "Ele só poderá ser implementado com a total e renovada coesão de nossa maioria parlamentar".
A UDC ameaçou abandonar a coalizão governista se o premiê não revisse suas prioridades. O partido pediu que o dirigente amenizasse os planos de corte nos impostos e revisasse as propostas de emenda à Constituição.
Em um aparente sinal de estar cedendo, Berlusconi afirmou que a reforma fiscal só estaria implementada por completo em 2006, um ano mais tarde do que o originalmente planejado.
O premier, porém, fez poucas promessas claras em seu pronunciamento de 20 minutos, e o principal aliado do governo, a Liga do Norte, disse que o governo ainda corria o risco de naufragar. "A ameaça das eleições antecipadas ainda não foi superada", afirmou Robert Calderoli, membro da Liga do Norte.
A crise que atingiu o governo começou depois das eleições locais e européias do mês passado, nas quais o partido Forza Italia, de Berlusconi, perdeu terreno a seus três principais parceiros, que não tardaram a exigir mais poderes.
O maior problema enfrentado pelo premiê é encontrar um novo ministro da Economia. Berlusconi assumiu a pasta interinamente, e no início desta semana ofereceu o cargo ao vice-premiê Gianfranco Fini, que é chefe da Aliança Nacional. Fini inicialmente recusou a oferta, mas fontes próximas a ele disseram que ele pode mudar de idéia.