Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Berlusconi renuncia, mas promete formar novo governo

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, renunciou na quarta-feira, mas prometeu formar um novo gabinete com os mesmos parceiros de coalizão, o que evitaria a convocação de eleições antecipadas. (Leia Mais)

Quarta, 20 de Abril de 2005 às 14:47, por: CdB

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, renunciou na quarta-feira, mas prometeu formar um novo gabinete com os mesmos parceiros de coalizão, o que evitaria a convocação de eleições antecipadas.

- Aceito o desafio de formar um novo governo - disse Berlusconi ao Parlamento, afirmando ter garantia de apoio dos quatro maiores partidos da coalizão de centro-direita.

A crise na Itália começou quando dois partidos, a União dos Democratas-Cristãos (UDC) e a direitista Aliança Nacional (AN), exigiram profundas mudanças no governo depois da surra eleitoral sofrida pela coalizão nas recentes eleições regionais.

Berlusconi, sem demonstrar frustração por não conseguir se tornar o primeiro premiê a cumprir todo o seu mandato de cinco anos desde o fim da Segunda Guerra Mundial, disse a jornalistas que pretende fazer poucas mudanças no ministério.

Pela Constituição italiana, o primeiro-ministro é obrigado a renunciar se fizer mudanças importantes no gabinete.

A UDC e a AN pediam um papel menor para a populista Liga Norte, que quer mais autonomia para o rico norte italiano.

Uma importante fonte do governo disse que os ministros da Indústria, Saúde e Transportes devem perder seus empregos. Nenhum deles é da Liga Norte, mas a coalizão poderia ter um "reequilíbrio" se esses cargos, hoje nas mãos do partido de Berlusconi, o Forza Italia, e de tecnocratas, passarem para a UDC e a AN.

Na semana passada, a UDC decidiu retirar seus ministros do governo. Na terça-feira, foi a vez da AN ameaçar fazer o mesmo, caso Berlusconi não modificasse seu programa e reformulasse o gabinete.

- É minha intenção renovar nosso programa, fazer esforços para elevar o poder de compra das famílias, apoiar nossas empresas e dar apoio decisivo ao sul - disse Berlusconi ao Senado lotado.

Esse discurso está de acordo com todas as exigências do chanceler Gianfranco Fini, líder da AN.

- Com sua confiança e apoio, escrevemos páginas importantes na história do nosso país. Com sua confiança e apoio, tenho certeza de que escreveremos muitas mais - afirmou Berlusconi.

Mesmo que o primeiro-ministro consiga reorganizar sua coalizão, ele ainda terá enormes dificuldades para vencer a próxima eleição geral, prevista para 2006. A economia quase não cresce desde que ele chegou ao poder, em 2001, a confiança dos consumidores e das empresas está em baixa, e as pesquisas mostram que o líder da oposição de centro-esquerda, Romano Prodi, é favorito para vencer as próximas eleições.

Mas muitos analistas políticos dizem que Berlusconi não é carta fora do baralho.

- Acho que esta crise está para trás dele, embora a forma como ocorreu sugere que ele não consegue mais impor sua vontade ao resto da coalizão - disse Franco Pavoncello, professor de Política na Universidade John Cabot, em Roma.

- Ele está fraco, mas ainda não está morto. A centro-esquerda está apenas cinco pontos à frente nas pesquisas, e um ano lhe dá a Berlusconi muito tempo para diminuir a distância.

Berlusconi disse que, após apresentar sua renúncia ao presidente Carlo Azeglio Ciampi, fará consultas formais aos partidos na quinta e na sexta-feira, para ouvir suas propostas sobre a formação do novo gabinete.

Se, como diz, tiver o apoio de todos os seus parceiros, as consultas serão mera formalidade.
O governo Berlusconi, com seus pouco mais de 1.400 dias, é recordista de longevidade na história moderna da Itália.

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