O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, renunciou na quarta-feira, mas prometeu formar um novo gabinete com os mesmos parceiros de coalizão, o que evitaria a convocação de eleições antecipadas.
- Aceito o desafio de formar um novo governo - disse Berlusconi ao Parlamento, afirmando ter garantia de apoio dos quatro maiores partidos da coalizão de centro-direita.
A crise na Itália começou quando dois partidos, a União dos Democratas-Cristãos (UDC) e a direitista Aliança Nacional (AN), exigiram profundas mudanças no governo depois da surra eleitoral sofrida pela coalizão nas recentes eleições regionais.
Berlusconi, sem demonstrar frustração por não conseguir se tornar o primeiro premiê a cumprir todo o seu mandato de cinco anos desde o fim da Segunda Guerra Mundial, disse a jornalistas que pretende fazer poucas mudanças no ministério.
Pela Constituição italiana, o primeiro-ministro é obrigado a renunciar se fizer mudanças importantes no gabinete.
A UDC e a AN pediam um papel menor para a populista Liga Norte, que quer mais autonomia para o rico norte italiano.
Uma importante fonte do governo disse que os ministros da Indústria, Saúde e Transportes devem perder seus empregos. Nenhum deles é da Liga Norte, mas a coalizão poderia ter um "reequilíbrio" se esses cargos, hoje nas mãos do partido de Berlusconi, o Forza Italia, e de tecnocratas, passarem para a UDC e a AN.
Na semana passada, a UDC decidiu retirar seus ministros do governo. Na terça-feira, foi a vez da AN ameaçar fazer o mesmo, caso Berlusconi não modificasse seu programa e reformulasse o gabinete.
- É minha intenção renovar nosso programa, fazer esforços para elevar o poder de compra das famílias, apoiar nossas empresas e dar apoio decisivo ao sul - disse Berlusconi ao Senado lotado.
Esse discurso está de acordo com todas as exigências do chanceler Gianfranco Fini, líder da AN.
- Com sua confiança e apoio, escrevemos páginas importantes na história do nosso país. Com sua confiança e apoio, tenho certeza de que escreveremos muitas mais - afirmou Berlusconi.
Mesmo que o primeiro-ministro consiga reorganizar sua coalizão, ele ainda terá enormes dificuldades para vencer a próxima eleição geral, prevista para 2006. A economia quase não cresce desde que ele chegou ao poder, em 2001, a confiança dos consumidores e das empresas está em baixa, e as pesquisas mostram que o líder da oposição de centro-esquerda, Romano Prodi, é favorito para vencer as próximas eleições.
Mas muitos analistas políticos dizem que Berlusconi não é carta fora do baralho.
- Acho que esta crise está para trás dele, embora a forma como ocorreu sugere que ele não consegue mais impor sua vontade ao resto da coalizão - disse Franco Pavoncello, professor de Política na Universidade John Cabot, em Roma.
- Ele está fraco, mas ainda não está morto. A centro-esquerda está apenas cinco pontos à frente nas pesquisas, e um ano lhe dá a Berlusconi muito tempo para diminuir a distância.
Berlusconi disse que, após apresentar sua renúncia ao presidente Carlo Azeglio Ciampi, fará consultas formais aos partidos na quinta e na sexta-feira, para ouvir suas propostas sobre a formação do novo gabinete.
Se, como diz, tiver o apoio de todos os seus parceiros, as consultas serão mera formalidade.
O governo Berlusconi, com seus pouco mais de 1.400 dias, é recordista de longevidade na história moderna da Itália.
Berlusconi renuncia, mas promete formar novo governo
O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, renunciou na quarta-feira, mas prometeu formar um novo gabinete com os mesmos parceiros de coalizão, o que evitaria a convocação de eleições antecipadas. (Leia Mais)
Quarta, 20 de Abril de 2005 às 14:47, por: CdB