O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, apresentou um novo gabinete ao Parlamento na terça-feira, na tentativa de convencer os céticos italianos de que ele será capaz de aproveitar seu último ano antes das eleições gerais para dar impulso à abatida economia.
O magnata da mídia foi obrigado na semana passada a renunciar temporariamente, por seus próprios aliados políticos, que exigiam que ele mostrasse aos italianos que estava preocupado com os interesses deles. Nas eleições regionais, sua coalizão de centro-direita acabou punida pelos eleitores.
Para aumentar a pressão sobre o premiê, promotores de Milão anunciaram na terça-feira ter pedido a um juiz para levar Berlusconi a julgamento novamente, pela acusação e corrupção na Mediaset, que pertence a sua família.
Berlusconi, que criou o maior império de mídia da Itália, já foi a julgamento por corrupção pelo menos outras sete vezes, mas nunca recebeu um veredicto definitivo de culpa.
Sem se abalar com as batalhas judiciais, Berlusconi apresentou sua nova equipe e uma nova estratégia ao Parlamento, ressaltando o apoio à indústria, às famílias e ao sul do país. Ele vai enfrentar votos de desconfiança na quarta e na quinta-feira, mas deve sair vencedor. Institutos de pesquisa afirmam, porém, que a história pode ser diferente nas eleições, daqui a um ano.
Num discurso na Câmara dos Deputados, Berlusconi culpou fatores externos pela debilidade da economia italiana, citando a introdução do euro, que segundo ele aumentou a inflação e reduziu as exportações.
Prometeu reduzir impostos e renovar o contrato salarial dos funcionários públicos, coisa que pode ameaçar os cofres públicos se o aumento for significativo.
Berlusconi também pediu à centro-direita que se una em um só partido para acabar com as divergências dentro da coalizão, apresentando uma frente unida para a eleição do ano que vem.
O adversário de Berlusconi, o líder de centro-direita e ex-presidente da Comissão Européia Romano Prodi, aguarda o desenrolar dos acontecimentos, torcendo para tirar vantagem do sucesso nas eleições regionais deste mês.
Partidos de oposição haviam pressionado Berlusconi para aproveitar o discurso e mostrar distanciamento do relatório conjunto, feito pelos Estados Unidos e pela Itália, que deve absolver os soldados norte-americanos da morte de um agente secreto italiano no Iraque por "fogo amigo".
Mas Berlusconi disse que não comentaria o assunto até a divulgação do relatório oficial. O agente Nicola Calipari foi atingido por soldados dos EUA quando acompanhava uma refém italiana recém-libertada ao aeroporto de Bagdá. O incidente teve grande repercussão popular e aumentou ainda mais a rejeição à participação na guerra.
Berlusconi lança estratégia de governo para último ano no poder
Terça, 26 de Abril de 2005 às 13:42, por: CdB