O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, recebeu na quinta-feira um voto final de confiança para seu novo governo, mas as discussões na Itália eram sobre quanto mais ele conseguiria sobreviver como líder de sua rebelde aliança de centro-direita.
O debate vai além do destino do novo gabinete para a questão maior sobre Berlusconi -- se ele estará ainda na política no ano que vem.
O bilionário de 68 anos, que apareceu na política há 11 anos com um partido montado sob medida, disse a aliados de sua coalizão que não concorrerá à reeleição se eles não conseguirem formar um partido único.
- Não vejo por que os eleitores deveriam depositar sua confiança em uma equipe que não sabe como se juntar - afirmou ele no Parlamento, após uma disputa na coalizão que o forçou a apresentar sua renúncia temporária.
Poucos analistas políticos acreditam que Berlusconi está pronto para deixar a política. Eles dizem que um partido único é improvável, por causa das rivalidades internas na coalizão e dos temores mesmo entre os aliados de que Berlusconi queira muito poder.
O líder de um dos partidos da coalizão, Marco Follini da União dos Democratas Cristãos (UDC), disparou uma clara advertência a Berlusconi nesta semana para não confiar de que liderará o bloco até as eleições do próximo ano.
- Não podemos rumar até 2006 como se tudo já estivesse decidido, a estrutura da coalizão, o líder e até mesmo o resultado - disse Follini na Câmara dos Deputados.
A UDC e a Aliança Nacional, do ministro das Relações Exteriores, Gianfranco Fini, forçaram Berlusconi a renunciar e formar um novo governo na semana passada, após a coalizão sofrer uma derrota em eleições regionais no começo de abril.
O novo governo, que com 99 ministros e secretários é o maior da história da Itália, ganhou facilmente o voto de confiança na Câmara dos Deputados na quarta-feira e no Senado na quinta-feira.
Ainda o mais longevo primeiro-ministro da Itália desde a Segunda Guerra Mundial, Berlusconi disse esperar se tornar o primeiro a liderar um único governo pelos cinco anos de mandato do Parlamento.
A próxima eleição está programada para maio de 2006, e as pesquisas mostram a coalizão de Berlusconi atrás do bloco de centro-esquerda União, principalmente por preocupações com a economia.
Franco Pavoncello, professor de política na Universidade John Cabot, em Roma, diz que os aliados de Berlusconi usaram as eleições regionais para "encolhê-lo".
Ele advertiu contra considerar Berlusconi carta fora do baralho, já que não há nenhum outro líder óbvio da centro-direita e por causa das divisões internas da centro-esquerda, liderada pelo ex-presidente da Comissão Européia Romano Prodi.
Um levantamento com 60 deputados da centro-direita feito pelo jornal Corriere della Sera mostrou que o político da UDC Pier Ferdinando Casini, presidente da Câmara dos Deputados, é a mais popular alternativa para suceder Berlusconi.
Berlusconi fica no poder e Itália reflete sobre seu futuro
Quinta, 28 de Abril de 2005 às 11:48, por: CdB