O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, envolveu-se em uma nova disputa política nesta segunda-feira ao não comparecer a um comício para celebrar o 60o. aniversário da liberação da Itália do domínio nazista.
O líder oposicionista Romano Prodi acusou Berlusconi e os aliados de sua coalizão de centro-direita de buscar "diluir a memória e os valores da luta da Itália contra o fascismo".
Um porta-voz do partido Força Itália, de Berlusconi, respondeu afirmando que Prodi, ex-presidente da Comissão Européia, "está somente interessado em dividir o país".
A guerra verbal enfatizou a intensa rivalidade entre Berlusconi e o ex-primeiro-ministro Prodi antes das eleições gerais programadas para o ano que vem. A disputa sobre o passado belicoso da Itália expôs uma das fendas que separam a direita e a esquerda no cenário político italiano.
Berlusconi e Prodi compareceram a uma cerimônia em Roma nesta segunda-feira ao lado do presidente Carlo Azeglio Ciampi. O premier optou, porém, por não ir com Ciampi a um comício mais tarde em Milão, o ponto alto das comemorações para marcar o fim da ocupação nazista no norte da Itália e a queda e a morte do ditador Benito Mussolini.
Berlusconi formou uma nova coalizão de governo no fim de semana, afastando a ameaça de eleições antecipadas e ganhando tempo para revigorar a economia e se recuperar nas pesquisas de opinião, que atualmente apontam para uma vitória da centro-esquerda.
O primeiro-ministro e seus aliados recentemente sofreram uma forte derrota frente à centro-esquerda em eleições regionais, provocando tensões dentro da coalizão governista e levando ao fim do governo mais longevo da Itália desde a Segunda Guerra Mundial.
O novo governo, o 60o. da Itália desde a guerra, enfrenta um voto de confiança no Parlamento nesta semana, mas essa deve ser apenas uma formalidade.