O primeiro ministro italiano, Silvio Berlusconi, compareceu voluntariamente nesta segunda-feira, diante do tribunal de Milão, para dar sua versão sobre o caso em que é acusado de subornar juízes romanos que avaliavam a venda de uma empresa. A promotoria de Milão acusa o premiê de ter influenciado alguns juízes romanos para que bloqueassem a venda da SME, uma empresa do setor alimentício ligada ao consórcio estatal IRI, ao empresário italiano Carlos de Benedetti, ex-presidente da Olivetti. Segundo a promotoria, o objetivo de Berlusconi era impedir que De Benedetti ficasse com a empresa, que terminou sendo fracionada e vendida a numerosos grupos do setor, alguns italianos e outros internacionais. Em seu depoimento, que durou cerca de 50 minutos, Berlusconi explicou que, na realidade, apenas evitou que o estado fizesse um péssimo negócio. - Eu não tinha nenhum interesse direto na operação, foi Bettino Craxi (premier italiano na época) que me pediu que intervisse porque acreditava que a operação prejudicava o estado - disse ao abrir sua declaração. De acordo com Berlusconi, o preço obtido na venda pulverizada da empresa foi muito superior ao que seria conseguido se o negócio fosse firmado com De Benedetti. Ele chegou a afirmar que, por trás das negociações para a venda da empresa agroalimentar para De Benedetti, poderiam haver alguns casos de corrupção. - Giuliano Amato (senador) me falou de subornos a uma corrente do partido de maioria da época, a Democracia Cristã - O depoimento do premiê não poupou o presidente italiano, Romano Prodi. Sem citá-lo nominalmente, Berlusconi apenas afirmou que "o Tribunal deveria escutar as declarações de todos os membros do conselho de administração do IRI". De Bruxelas, Prodi acompanhou as declarações do premier e se limitou a dizer, através de um porta-voz, que "por enquanto, não há nada a declarar: estamos seguindo este processo judicial e quando houver eventuais declarações que impliquem ao chefe da Comissão Européia, também chegarão as repostas adequadas".
Berlusconi depõe diante do Tribunal de Milão
Terça, 06 de Maio de 2003 às 06:49, por: CdB