Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Berlusconi bate recorde de permanência no poder

Terça, 04 de Maio de 2004 às 07:15, por: CdB

O governo do primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, entra para o livro dos recordes nesta quarta-feira, quando se torna o mais longevo do país desde a Segunda Guerra Mundial, completando 1.060 dias.

O recorde pouco impressionante revela a fragilidade do sistema político italiano do pós-guerra. O país foi administrado por 59 governos diferentes nesses anos.

O fato de Berlusconi ter chegado à marca, por outro lado, mostra algo sobre esse carismático político, que criou o partido Forza Italia em meio às ruínas de um sistema partidário em crise no início dos anos 1990 depois de vários escândalos de corrupção.

O megaempresário do setor de comunicação apresentou-se então como uma nova força capaz de limpar a política italiana.

Eleito em maio de 2001, com a maior votação da história republicana no país, ele tem se esforçado para manter seus aliados da centro-direita coesos, argumentando que a Itália só conseguirá progredir se abraçar a estabilidade política.

Os partidos de esquerda (oposição), sem contarem com um líder forte, continuam divididos.
A oposição usou o marco da quarta-feira para criticar os avanços do governo, mas Berlusconi disse que precisará de muitos anos no poder para concluir seu programa de reformas.
"Vejo-me como líder do governo na próxima legislatura e na outra depois dessa", afirmou o premiê recentemente.

O recorde anterior de longevidade havia sido batido por Bettino Craxi, mais tarde acusado de corrupção. A primeira coalizão liderada por ele ficou no poder de 1983 a 1986.

Mas Berlusconi terá pouco tempo para celebrar o recorde, devido aos problemas que cercam seu governo e ao crescente desconforto de seus aliados. A empresa aérea Alitalia, uma estatal, luta para sobreviver em meio a prejuízos cada vez maiores, a economia do país recusa-se a decolar e uma crise de reféns envolvendo três guarda-costas italianos arrasta-se há três semanas no Iraque.

"Esse governo nos legou crises sociais, econômicas e financeiras", disse Luciano Violante, líder no Parlamento do partido Democratas de Esquerda, o maior da oposição.

Mesmo alguns dos aliados de Berlusconi têm feito comentários cautelosos sobre o recorde a ser batido, afirmando que a coalizão precisará trabalhar muito para conseguir implementar as reformas desejadas.

Tags:
Edições digital e impressa