Rio de Janeiro, 03 de Novembro de 2026

Bento XVI reza pelas vítimas de 11 de setembro

Papa visitou Marco Zero e celebrará missa no último dia de viagem aos EUA. O papa cumprimentou 24 sobreviventes, bombeiros, policiais e parentes de algumas das 2.749 vítimas que morreram no World Trade Center. (Leia Mais)

Domingo, 20 de Abril de 2008 às 09:17, por: CdB

O papa Bento XVI visitou neste domingo o Marco Zero, o local dos ataques de 11 de Setembro de 2001 em Nova York, no último dia de sua viagem de seis dias aos Estados Unidos.

O papa cumprimentou 24 sobreviventes, bombeiros, policiais e parentes de algumas das 2.749 vítimas que morreram no World Trade Center. Ao chegar ao local no papamóvel, Bento XVI ajoelhou e rezou silenciosamente, se levantou para acender uma vela e usou água benta para abençoar o que chamou de "cenário de violência e dor inacreditáveis".

Ele invocou "luz eterna e paz" para os mortos não só em Nova York, mas também no Pentágono, em Washington, e em um campo na Pensilvânia onde caiu um dos aviões seqüestrados.

Ele também rezou pelos "que tiveram os corações e mentes consumidos pelo ódio". Bento XVI irá também celebrar mais uma missa, desta vez em um estádio de basebol.

Esta foi a primeira visita oficial do Papa aos Estados Unidos e foi considerada um sucesso por analistas. A viagem dominou a mídia norte-americana e a demanda pelos 55 mil ingressos para a missa deste domingo superou a oferta.

Juventude

No sábado, Bento XVI falou pela primeira vez sobre sua experiência crescendo sob o "monstro" do nazismo. Falando para 30 mil jovens no seminário St. Joseph, em Nova York, ele disse que sua adolescência foi "marcada por um regime sinistro que acreditava ter todas as respostas".

- Sua influência cresceu, infiltrando escolas e instituições civis, assim como a política e até a religião, antes de ser reconhecido pelo monstro que era. Vamos agradecer a Deus que tantas pessoas da sua geração podem aproveitar das liberdades que surgiram da ampliação da democracia e do respeito pelos direitos humanos - disse Bento XVI aos jovens.

O papa foi membro da Juventude de Hitler, o que era comum entre jovens alemães na época, e foi recrutado pelo Exército alemão perto do fim da Segunda Guerra Mundial, quando serviu no esquadrão antiaéreo.

Ele desertou pouco depois e foi mantido brevemente como prisioneiro das forças aliadas em 1945.

Escândalos

Mais cedo, o papa marcou o terceiro aniversário de sua escolha como chefe da Igreja Católica com uma missa na Catedral St. Patrick, em Nova York. Bento XVI foi recebido pelo prefeito da cidade, Michael Bloomberg e padres e outros religiosos que lotaram a catedral.

- Eu me uno a vocês nas rezas para que esta seja uma hora de purificação para cada Igreja e comunidade religiosa, uma hora de cura - disse o papa em seu sermão, se referindo aos escândalos de abusos sexuais de crianças por padres americanos.

- Eu também os encorajo a cooperar com seus bispos para continuar a trabalhar para resolver esse problema de forma eficaz - disse. Mais de quatro mil padres norte-americanos foram acusados de abusar de menores desde 1950 e a Igreja já pagou mais de U$ 2 bilhões (cerca de R$ 3,3 bilhões) em compensações e custos legais.

Segundo o papa, os escândalos não causaram estragos apenas às vítimas, mas também à reputação da Igreja.

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