O papa Bento 16 indicou que vai seguir a linha do papa João Paulo 2º contra o aborto e a eutanásia, durante sermão na cerimônia em que ele assumiu seu lugar no trono de mosaico e mármore na Basílica de São João Latrão, em Roma.
Segundo ele, o papa "não deve proclamar suas próprias idéias, mas sempre vincular a si mesmo e a igreja à palavra de Deus quando se defrontar com as tentativas de adaptação ou diluição, assim como com todo oportunismo".
"É isso que o papa João Paulo 2º fez, quando se defrontou com interpretações erradas de liberdade, sublinhou de forma inequívoca a inviolabilidade dos seres humanos, a inviolabilidade da vida humana da concepção à morte natural".
"Liberdade para matar não é a verdadeira liberdade, mas uma tirania que reduz o ser humano à escravidão", disse Bento 16 no seu sermão, arrancando aplausos da congregação que participou da cerimônia, a última que marca o início do pontificado.
Ortodoxia doutrinária
Nas lições do Vaticano, a frase em defesa da vida "da concepção à morte natural" se refere a sua proibição de aborto e da eutanásia.
Antes de ser eleito papa, o então cardeal Joseph Ratzinger ficou encarregado por quase 25 anos de fazer cumprir a ortodoxia doutrinária.
Nesse período, ele ganhou a reputação de ser um intérprete rigoroso dos ensinamentos da Igreja, calando teólogos dissidentes.
Na sexta-feira, o editor de uma revista católica nos Estados Unidos pediu demissão do cargo depois de ter sofrido pressão do departamento da Igreja que era dirigido por Ratzinger.
Segundo o jornal The New York Times, o padre Thomas Reese, que editava a revista America nos últimos sete anos, foi forçado a pedir demissão.