Rio de Janeiro, 27 de Março de 2026

Bento XVI pede tolerância dos católicos com outras religiões

Quinta, 28 de Setembro de 2006 às 08:32, por: CdB

Os comentários do papa Bento XVI ainda provocam críticas e protestos no mundo muçulmano, mas ele pediu, nesta quinta-feira, que os católicos tenham tolerância com outras religiões e culturas e disse que um renascimento da fé ajudaria a alimentar esta abertura nos países ocidentais. O pontífice disse ao novo embaixador de Berlim no Vaticano que a Igreja Católica Romana nunca forçaria ninguém a aceitar os ensinamentos de Jesus Cristo.

Líderes muçulmanos do mundo inteiro criticaram Bento XVI por seu discurso, feito há duas semanas, sugerindo que o islamismo se expandiu pela espada e trouxe apenas males ao mundo. O papa expressou por quatro vezes arrependimento pela confusão, mas não retirou o que disse.

- Tolerância e abertura cultural devem caracterizar encontros com outras pessoas. A Igreja não se impõe porque a fé em Jesus Cristo que ela proclama só pode ocorrer na liberdade - disse ele ao embaixador Hans-Henning Horstmann, que apresentava suas credenciais na residência de verão do papa, em Castelgandolfo, ao sul de Roma.

Citando um sermão proferido durante sua viagem recente à Bavária, Bento XVI disse que o mundo precisa de tolerância "que inclua a reverência a Deus, a reverência ao que é sagrado aos outros".

- Essa reverência só pode ser regenerada no mundo ocidental se a fé em Deus crescer novamente - acrescentou.

O papa advertiu contra a confusão de tolerância com indiferença completa, dizendo:

- A tolerância verdadeira requer respeito aos outros, que são criaturas de Deus e cuja existência foi reafirmada por Deus.

O papa disse que a Santa Sé, naturalmente preocupada com o destino dos cristãos do mundo todo, deseja trabalhar "com todas as pessoas de boa vontade para servi-las, sua dignidade, sua integridade e sua liberdade". Bento XVI também aproveitou a ocasião para reiterar sua oposição ao aborto, uniões civis e pesquisas com células-tronco, e pediu a Berlim que não substitua as atuais aulas de religião nas escolas públicas por aulas de ética "sem valor".

Ele também solicitou que a Alemanha não expulse cristãos que buscam asilo por sofrerem perseguição religiosa em seus países de origem, o que o Vaticano diz que ocorre em alguns Estados de maioria muçulmana.

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