Agora que baixou a poeira daquilo que a mídia mais evidenciou sobre a Exortação Apostólica Pós-Sinodal Sacramentum Caritatis, do papa Bento XVI, sobre a Eucaristia, podemos ver melhor outras questões que são abordadas no documento. A Eucaristia, mistério da fé, celebrado e vivido pelos cristãos, é o sacramento da caridade onde Cristo revela o amor infinito de Deus por todos os seres humanos. Muito bem nos lembra o Papa de que a Eucaristia deve se tornar na vida o que ela significa na celebração. O sacramento da Eucaristia estimula para a reconciliação, o diálogo e o compromisso em prol da justiça. A consciência de que a verdadeira paz é possível através da restauração da justiça, da reconciliação e do perdão, faz nascer a vontade de transformar as estruturas injustas, a fim de restabelecer a dignidade do ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus.
Bento XVII afirma que a batalha política para mudar a sociedade não é missão própria da Igreja, "mas ela não pode nem deve ficar à margem da luta pela justiça", deve ser parceira, colaborar e somar forças para realizar a sociedade mais justa possível. A Eucaristia é mistério de libertação e continuamente interpela e provoca os fiéis na perspectiva da responsabilidade social de todos os cristãos. E diante disso o Papa faz um apelo para que sejamos "obreiros de paz e justiça". E manifesta sua preocupação com alguns problemas geradores de outros fenômenos degradantes, como "o terrorismo, a corrupção econômica e a exploração sexual".
Por causa do mistério celebrado na Eucaristia "é preciso denunciar as circunstâncias que estão em contraste com a dignidade do ser humano". O Papa pede que os católicos não fiquem "inativos perante certos processos de globalização" que aumentam cada vez mais a desigualdade em todo o mundo. E denuncia que com a metade dos gastos em guerras e armamentos seria possível tirar "da indigência o exército ilimitado de pobres". Bento XVI estimula os cristãos a assumir sua responsabilidade político-social. E diz que para isso a Igreja deve promover a educação para a caridade e a justiça e é preciso também que a "Doutrina Social da Igreja" se torne conhecida e seja incrementada nas dioceses.
Ao tratar o tema da justiça e da paz, o Papa aborda também a questão ecológica, algo que tem tudo a ver com o sacramento da Eucaristia. Para que a espiritualidade eucarística possa incidir no tecido social é preciso que os cristãos, ao celebrar a Eucaristia, o façam em nome de toda a criação e trabalhem para que todo o universo seja santificado. A Eucaristia acreditada e celebrada interpela os cristãos a lutarem na defesa do meio ambiente, da natureza e de tudo o que faz parte da criação divina. A crise ecológica vem causando, ao mundo todo, muita preocupação que também "encontram motivo de conforto na perspectiva da esperança cristã, pois esta compromete-nos a trabalhar responsavelmente na defesa da criação". Portanto, se cremos e celebramos a Eucaristia devemos atender ao apelo do Papa e sermos obreiros de paz e justiça e também de ecologia.
Frei Pilato Pereira, frade Capuchinho, Bagé-RS.
pilato@capuchinhosrs.org.br
Bento XVI pede que sejamos 'obreiros de paz e justiça'
Por Frei Pilato Pereira - Agora que baixou a poeira daquilo que a mídia mais evidenciou sobre a Exortação Apostólica Pós-Sinodal Sacramentum Caritatis, do papa Bento XVI, sobre a Eucaristia, podemos ver melhor outras questões que são abordadas no documento. (Leia Mais)
Quarta, 09 de Maio de 2007 às 08:39, por: CdB