O eleito pelo colégio de cardeais, Joseph Ratzinger, como prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, imprimiu uma imagem um tanto negativa de si próprio. Desde quando está no Vaticano é visto como um "homem forte" da "ala conservadora" da Igreja. Atuando de tal forma que expressava uma postura intransigente diante de alguns temas sociais e de moral. Então, se criou a imagem de um exagerado e radical defensor da doutrina e pouco preocupado com a vida das pessoas, com os problemas existentes na sociedade. Para ele o mais importante parecia ser o cumprimento da norma, da lei.
Era, enfim, essa a sua missão, mas agora lhe foi confiado um outro compromisso, bem diferente. Sua atuação como defensor da doutrina nos remete a previsão de que será um papa bastante conservador e de difícil diálogo com o mundo. Mas não podemos olhar para o futuro somente a partir de uma parte da história. O cardeal Ratzinger quis cumprir sua missão como defensor da doutrina da fé e a cumpriu através de um método que escolheu. No seu lugar, certamente outro cardeal teria uma postura diferente da sua. Agora lhe cabe cumprir outra missão, a de Papa. E o que vai determinar sua atuação neste novo serviço não é apenas o modo de como agia antes, mas as urgências e os clamores que agora a própria missão lhe faz ver e ouvir.
Responsável pela doutrina da fé, o cardeal Ratzinger agiu com dureza, mas como papa, de certa forma como pai e mãe de todos os católicos do mundo inteiro, e como servo dos servos de Deus, Bento XVI deverá ser mais compreensível e acolhedor de toda a diversidade do mundo atual. Nossa fé nos permite crer que o papa, escolhido sob a iluminação do Espírito Santo, vai saber ver o mundo com o olhar de Deus. Saberá, não apenas julgar, mas perdoar e dar sua contribuição, em nome da Igreja, para melhorar a vida de toda a humanidade. Deste novo papa é preciso esperar um espírito de reconciliação, de paz, de amizade.
Nós católicos precisamos de um pastor manso e humilde, que seja também um irmão capaz de reunir nossos sentimentos coletivos (como a paz, a justiça, a solidariedade, a defesa da vida humana e da natureza) e nos colocar em diálogo com o mundo não-católico, não-cristão e não-crente. Além de promover o entendimento interno, Bento XVI, como representante da Igreja, deverá colocá-la numa postura de fraternal diálogo com todo o mundo. O papa poderá exigir que haja respeito entre povos, nações, culturas e religiões, mas antes de tudo, deve, com sua Igreja, dar testemunho.
O conclave que elegeu o novo papa aconteceu em pleno tempo pascal em que deveríamos, como cristãos, nos encontrar renovados na alegria e na esperança do Cristo Ressuscitado. E com esses sentimentos, devemos continuar no caminho, que agora prossegue com um novo pontificado. Frei Pilato Pereira (Frade Capuchinho)
Frei Pilato Pereira é frade Capuchinho em Santa Maria, Rio Grande do Sul.
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