Rio de Janeiro, 23 de Janeiro de 2026

Bento XVI e Lula evitam temas polêmicos como aborto e camisinha

O papa Bento XVI manifestou nesta quinta-feira, durante encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Paulo, o desejo de ver firmado um acordo entre o Vaticano e o Brasil durante o seu pontificado e o atual mandato de Lula, até 2010. (Leia Mais)

Quinta, 10 de Maio de 2007 às 11:43, por: CdB

Temas polêmicos, como aborto, eutanásia, uso de camisinha e pesquisas com células-tronco embrionárias ficaram de fora do encontro reservado desta quinta-feira entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o papa Bento XVI. Os dois governantes discutiram o Estado laico brasileiro e um acordo de regulamentação da Igreja Católica no Brasil.

O acordo, entretanto, não foi fechado no encontro desta quinta. A embaixadora do Brasil no Vaticano, Vera Machado, disse que o papa disse a Lula que espera que o acordo de regulamentação da Igreja Católica seja fechado durante o seu pontificado e o mandato do presidente.

De acordo com a embaixadora, o Vaticano tem acordos assinados para regulamentação da Igreja Católica em mais de 100 países.

Esse acordo estaria sendo discutido com o Brasil desde novembro passado. Segundo ela, esse acordo passa por questões sociais e tributárias.

O papa Bento XVI manifestou o desejo de ver firmado um acordo entre o Vaticano e o Brasil durante o seu pontificado e o atual mandato de Lula, até 2010.

A revelação foi feita pela embaixadora do Brasil no Vaticano, Vera Machado, que contou que o acordo regulamentaria a ação da Igreja no Brasil, abordando o ensino de religião nas escolas, a isenção fiscal para as paróquias e outros temas.

"Eles (o Vaticano) sentem falta desse status de um acordo internacional que tem com outros países", disse a embaixadora.

Apesar de ser o país com o maior número de católicos no mundo, o Brasil ainda não tem um acordo específico com o Estado do Vaticano, que foi um dos primeiros a reconhecer a independência do país.

Uma proposta de acordo foi enviada pela Santa Sé ao Itamaraty em dezembro do ano passado, mas o governo brasileiro vem resistindo aos pedidos da Igreja e prefere remeter os temas para a legislação brasileira já em vigor.

Sem polêmica

O papa e o presidente tiveram um encontro reservado por cerca de 30 minutos no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado de São Paulo, na zona sul da capital paulista.

Segundo Vera Machado, na reunião, que ocorreu em clima de "harmonia", eles não discutiram temas polêmicos, como o direito à vida.

"Não houve nenhuma palavra sobre aborto e preservativo", apesar dos assuntos serem prioridades para o Vaticano, disse a embaixadora.

A embaixadora explicou que foram tratados temas de consenso entre o Vaticano e o governo brasileiro, como a importância da educação e da preservação da família na promoção de valores morais.

Lula, que usou uma intérprete italiana, também teria falado dos programas sociais do seu governo como o Bolsa Família, da sua intenção de promover o uso de biocombustíveis na África e da necessidade de os países ricos eliminarem subsídios no contexto da Rodada de Doha, da OMC (Organização Mundial do Comércio).

Segundo a diplomata brasileira na Santa Sé, Bento 16, que "não conhecia detalhes" do Bolsa Família, demonstrou "apreço" e "admiração" pelo programa. Ela também disse que o papa apoiou a idéia de levar biocombustíveis à África, embora também não conhecesse o assunto em detalhes.

No Palácio, além de se reunir com Lula, o papa se encontrou com a primeira-dama, Marisa, o governador de São Paulo, José Serra, sua mulher, Mônica Serra, a embaixadora do Brasil no Vaticano, Vera Machado, e o núncio apostólico no Brasil, Lorenzo Baldisseri.

Presentes

Na ocasião, o pontífice recebeu de presente de Lula uma coleção de três livros de obras do pintor Cândido Portinari.

Dona Marisa deu ao papa um retrato do próprio pontífice pintado por Roberto Camasmie.

Do governador Serra, o papa ganhou uma Bíblia de

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