Cerca de 24 mil pessoas foram às ruas de Freiburg, no sul da Alemanha, receber o papa Bento 16 em seu terceiro dia de viagem oficial a seu país de origem. Durante encontro com dirigentes do Comitê Central dos Católicos Alemães (ZdK, sigla em alemão) o papa falou sobre a redução da força do catolicismo nos países ocidentais e pediu para que todos busquem novos caminhos para a evangelização, pois muitas pessoas não estariam mais encontrando contato com a Igreja.
Ao encontrar-se com representantes da Igreja Ortodoxa, a qual ele afirmou ser "muito próxima" da Católica, o papa conclamou os fiéis cristãos a atuarem em conjunto contra as "tendências antirreligiosas" da sociedade.
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Papa foi recebido por cerca de 24 mil pessoas em Freiburg "A verdadeira crise da Igreja nos países ocidentais é uma crise da fé. Quando a gente não encontra uma verdadeira renovação da fé, qualquer reforma estrutural será ineficaz", afirmou o papa.
Ele também incitou os fieis a se colocarem veementemente contrários a qualquer "intervenção manipuladora ou seletiva na vida humana". E se queixou do excesso de "relativismo" da sociedade atual com relação a várias áreas, inclusive ao casamento.
A bordo de seu papa-móvel, o líder da Igreja Católica acenou para fiéis que o aguardavam do lado de fora da catedral de Freiburg – cidade onde Joseph Ratzinger foi ordenado sacerdote, em 1984.
À tarde, Bento 16 encontrou-se com o ex-chanceler federal alemão Helmut Kohl, chefe do governo à época da reunificação do país após a queda do Muro de Berlim, em 1989. O encontro teria sido marcado a pedido do papa como forma de homenagear Kohl.
Missa e tiros
Pela manhã, Bento 16 celebrou uma missa em Erfurt, cidade que fazia parte da antiga Alemanha Oriental, para aproximadamente 28 mil pessoas. Lá, ele ressaltou a estabilidade da Igreja Católica no leste do país e pediu aos fiéis que continuem firmes na fé.
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Encontro com Helmut Kohl foi marcado a pedido do papa"Vocês tiveram que suportar primeiramente o nazismo e depois uma ditadura comunista, que agiu contra a fé cristã como uma chuva ácida", disse o papa.
Pela manhã, a polícia prendeu um homem que teria atirado quatro vezes contra seguranças particulares cerca de um quilômetro de distância da praça onde a missa seria realizada. Policiais afirmaram que ninguém ficou ferido e ressaltaram que o papa não correu perigo.
Na noite da sexta-feira o papa recebeu duas mulheres e três homens vítimas de abusos cometidos por padres ou por pessoas que trabalham em igrejas. O encontro aconteceu no seminário de Erfurt e não estava na agenda oficial do pontífice. Segundo o bispo Stefan Ackermann, o clima do encontro foi bom e Bento 16 expressou vergonha e mostrou-se comovido. Nos últimos anos, vários casos de abusos cometidos por padres vieram à tona na Alemanha.
Freiburg é a última parada do papa em sua visita de quatro dias à sua terra natal que começou na quinta-feira passada, em Berlim. Neste domingo ele volta para Roma.
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