Uma avaliação do Programa Bolsa Família mostra que o aumento de renda dos beneficiários leva a gastos maiores com alimentação. Os gastos com educação e a frequência escolar também são maiores quando comparados com famílias que não estão incluídas no programa.
As famílias contempladas pelo programa, com renda mensal de até R$ 50 por pessoa, consideradas em situação de extrema pobreza, gastam R$ 388 a mais por ano na compra de alimentos do que as que não fazem parte do programa. Da mesma forma, as famílias em situação de pobreza, as que tem renda mensal de até R$ 100 por pessoa, gastam R$ 278 a mais com alimentação por ano.
Na educação, os gastos das famílias em situação de pobreza são cerca de R$ 30 maiores. No caso das que vivem na extrema pobreza, o valor foi considerado não significativo pela pesquisa. As crianças de famílias que têm o Bolsa Família frequentam mais a escola do que as que não têm. Para essas, a evasão escolar é 1,8 ponto percentual maior.
Porém, o índice de repetência escolar das criança atendidas pelo programam é maior. A explicação, segundo uma das coordenadoras da pesquisa, professora de economia da Universidade Federal de Minas Gerais Ana Maria Hermeto, é que com menos evasão [para receber o Bolsa Família é aferido o índice de freqüência escolar] as crianças permanecem mais na escola, mas com um histórico de baixa qualidade de ensino.
- O primeiro resultado delas não é de aprovação imediata. São crianças que trazem um antecedente histórico de uma qualidade escolar muito pior. O benefício de aprovação é mais a longo prazo -, explicou.
Na região Nordeste, as famílias que recebem recursos do Bolsa Família estão gastando RS 50 a mais por ano com fumo e bebidas alcoólicas do que as que não estão no programa. A professora Ana Maria Hermeto minimiza o dado e afirma que em termos proporcionais o valor é pouco representativo.
A avaliação foi feita com 15 mil famílias de todo o país. Os dados foram colhidos em 2005 e uma atualização da pesquisa deve ser realizada a cada dois anos com as mesmas famílias.
De acordo com o secretário de Avaliação e Gestão da Informação do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Rômulo Paes, os dados servirão para acompanhar os impactos do programa na vida das crianças.
- Estamos especialmente interessados em avaliar a situação nutricional das crianças, saber o quanto o programa está interferindo para que as crianças estejam melhores de saúde e o desempenho escolar -, informou.
Beneficiários do Bolsa Família gastam mais com comida e educação
Sexta, 18 de Maio de 2007 às 13:28, por: CdB