Benazir Bhutto deixou sua casa na manhã deste sábado após ter sido mantida em prisão domiciliar durante várias horas na sexta-feira.
Até as primeiras horas desta manhã, a casa de Bhutto permanecia cercada pela polícia, mas ela não foi impedida de deixar o local.
A ex-premiê terá um encontro com membros da sociedade civil paquistenesa, membros de seu partido (o PPP, Partido do Povo Paquistanês) e diplomatas estrangeiros para discutir a situação política do país.
Mais cedo, o procurador-geral do Paquistão, Malik Mohammad Qayyum, havia dito que o estado de exceção decretado poderá ser suspenso em um mês.
Em entrevista concedida a um canal de televisão privado, o procurador disse que as restrições impostas pelo presidente Pervez Musharraf “não são permanentes” e serão suspensas antes do que “as pessoas imaginam”.
“A medida não vai durar anos”, assegurou Mohammad Qayyum.
"Defensora da democracia"
Ao tentar sair de sua casa na sexta-feira, na capital Islamabad, Bhutto recebeu uma intimação, que determinava sua detenção por três dias, mas que foi suspensa horas depois.
Bhutto disse que lançará uma campanha para forçar Musharraf a deixar o posto de chefe do Exército. Ela promete liderar uma marcha da cidade de Lahore a Islamabad, na terça-feira, se as suas reivindicações não forem atendidas.
Além de prender Bhutto, forças de segurança paquistanesas bloquearam as estradas próximas à cidade de Rawalpindi, onde a ex-premiê pretendia realizar uma manifestação, e utilizaram gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.
O PPP diz que 5 mil de seus simpatizantes já foram presos desde o final de semana passado e que 100 pessoas foram detidas na frente da casa de Bhutto nesta sexta-feira.
Analistas dizem que os acontecimentos desta sexta-feira devem melhorar a imagem de Bhutto como "defensora da democracia".
Nesta sexta-feira, os Estados Unidos voltaram a insistir que Musharraf deve deixar o cargo de chefe do Exército e marcar uma data precisa para as eleições.
O porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, disse que, embora o presidente já tenha se comprometido a deixar a farda e a realizar as eleições até o dia 15 de fevereiro, Musharraf precisa deixar claro quando exatamente fará o que prometeu.
"Ele deve assumir esse compromisso publicamente e marcar uma data para a população paquistanesa para que eles tenham uma expectativa de voltar ao estado constitucional e ao caminho para a democracia", disse McCormack.