Rio de Janeiro, 28 de Outubro de 2026

Benazir Bhutto recomeça campanha contra estado de emergência no Paquistão

A ex-primeira-ministra e líder de oposição do Paquistão, Benazir Bhutto, retomou neste sábado a campanha contra o estado de exceção imposto há uma semana pelo presidente Pervez Musharraf. Benazir Bhutto deixou sua casa na manhã deste sábado após ter sido mantida em prisão domiciliar durante várias horas na sexta-feira. Governo diz que medida deve durar um mês

Sábado, 10 de Novembro de 2007 às 09:28, por: CdB
A ex-primeira-ministra e líder de oposição do Paquistão, Benazir Bhutto, retomou neste sábado a campanha contra o estado de exceção imposto há uma semana pelo presidente Pervez Musharraf.

Benazir Bhutto deixou sua casa na manhã deste sábado após ter sido mantida em prisão domiciliar durante várias horas na sexta-feira.

Até as primeiras horas desta manhã, a casa de Bhutto permanecia cercada pela polícia, mas ela não foi impedida de deixar o local.

A ex-premiê terá um encontro com membros da sociedade civil paquistenesa, membros de seu partido (o PPP, Partido do Povo Paquistanês) e diplomatas estrangeiros para discutir a situação política do país.

Mais cedo, o procurador-geral do Paquistão, Malik Mohammad Qayyum, havia dito que o estado de exceção decretado poderá ser suspenso em um mês.

Em entrevista concedida a um canal de televisão privado, o procurador disse que as restrições impostas pelo presidente Pervez Musharraf “não são permanentes” e serão suspensas antes do que “as pessoas imaginam”.

“A medida não vai durar anos”, assegurou Mohammad Qayyum.

"Defensora da democracia"

Ao tentar sair de sua casa na sexta-feira, na capital Islamabad, Bhutto recebeu uma intimação, que determinava sua detenção por três dias, mas que foi suspensa horas depois.

Bhutto disse que lançará uma campanha para forçar Musharraf a deixar o posto de chefe do Exército. Ela promete liderar uma marcha da cidade de Lahore a Islamabad, na terça-feira, se as suas reivindicações não forem atendidas.

Além de prender Bhutto, forças de segurança paquistanesas bloquearam as estradas próximas à cidade de Rawalpindi, onde a ex-premiê pretendia realizar uma manifestação, e utilizaram gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.

O PPP diz que 5 mil de seus simpatizantes já foram presos desde o final de semana passado e que 100 pessoas foram detidas na frente da casa de Bhutto nesta sexta-feira.

Analistas dizem que os acontecimentos desta sexta-feira devem melhorar a imagem de Bhutto como "defensora da democracia".

Nesta sexta-feira, os Estados Unidos voltaram a insistir que Musharraf deve deixar o cargo de chefe do Exército e marcar uma data precisa para as eleições.

O porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, disse que, embora o presidente já tenha se comprometido a deixar a farda e a realizar as eleições até o dia 15 de fevereiro, Musharraf precisa deixar claro quando exatamente fará o que prometeu.

"Ele deve assumir esse compromisso publicamente e marcar uma data para a população paquistanesa para que eles tenham uma expectativa de voltar ao estado constitucional e ao caminho para a democracia", disse McCormack.

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