O secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, classificou de "inteligente e bem-sucedida" a operação deflagrada nesta quarta-feira no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio, e terminou com a morte de 19 pessoas. A ação envolveu 1.350 policiais - incluindo homens da Força Nacional de Segurança.
- Se precisar voltar lá, vamos voltar. Se obtivermos mais informações sobre as áreas onde temos que atuar, vamos voltar. Quero esclarecer que poderíamos ter feito isso dois meses atrás e ter entrado lá em duas horas. Mas a contabilidade de mortos, feridos e de balas perdidas seria muito mais expressiva - esclareceu.
De acordo com Beltrame, o Complexo do Alemão é a área de maior potencial criminoso no Estado, pois é a base de uma das principais facções criminosas locais. O objetivo da ação, acrescentou, era justamente desarticular o centro logístico e contábil desta facção. Apesar da operação policial, o secretário disse que o poder de fogo dos traficantes que controlam o conjunto de favelas ainda é grande.
Ele informou que a estratégia de ocupação do morro é resultado de dois meses de planejamento, período em que foram feitas reuniões diárias do serviço de inteligência das polícias Civil, Militar e Federal, além da Força Nacional de Segurança (unidade de elite vinculada ao Ministério da Justiça). Segundo o secretário, o apoio da Força Nacional de Segurança, que se instalou no perímetro do Complexo do Alemão há cerca de duas semanas, será mantido.
Foi a maior operação realizada no Complexo do Alemão, desde o início da ocupação da Polícia Militar, em 2 de maio. Cerca de 1.350 policiais e agentes da Força Nacional de Segurança entraram na favela para cumprir mandados de prisão e apreensão em três pontos do complexo: Areal, Chuveirinho e Matinha.
Dez pessoas ficaram feridas, entre elas duas meninas, uma de oito e outra de 13 anos, além de um menino de 13 anos. Um jovem de 17 anos foi baleado no braço e levado preso, por suspeita de envolvimento com o tráfico. Durante a operação, um policial civil da unidade de elite da corporação foi atingido no abdômen.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, foram aprendidos quatro metralhadoras ponto 30, um fuzil AK47, 40 quilos de cocaína e 30 quilos de maconha.
Três escolas, com 2,5 mil alunos, próximas ao Complexo do Alemão, suspenderam as aulas hoje por causa dos confrontos. Desde o início da ocupação, outras seis escolas estão fechadas, e os quatro mil alunos, reunidos em um único colégio, onde assistem a duas horas de aula.