Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Belluzzo critica ajuste fiscal e diz que Brasil caminha para a recessão

Membro do grupo de 1.334 economistas que apoiaram Dilma, Luiz Gonzaga Belluzzo, disse ao jornal Valor, desta sexta-feira, que é contrário ao ajuste fiscal.

Sexta, 16 de Janeiro de 2015 às 09:20, por: CdB
belluzzo-300x168.jpg
Para Luiz Gonzaga Belluzzo, o Brasil caminha para um período de recessão
Membro do grupo de 1.334 economistas que assinaram o manifesto pró-Dilma, o economista e professor da Unicamp e da Facamp Luiz Gonzaga Belluzzo, deixou claro ao jornal Valor, desta sexta-feira, que é contrário ao ajuste fiscal, citado tantas vezes pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Para Belluzo, Dilma "capitulou diante das pressões do mercado, assim como os líderes europeus e uma parte do PT". Sobre a atual política econômica estabelecida para o segundo mandato de Dilma Rousseff, o economista disse que "o mercado exagerou o problema do desequilíbrio fiscal e passou a dizer que o BC foi leniente com a política de metas. Sendo que muitos dos que estavam criticando causaram o maior dano possível à economia brasileira ao usar o câmbio para aplacar a inflação". Ao ser questionado sobre a abertura da economia brasleira, Belluzzo diz que "é preciso uma política que favoreça a aquisição de insumo e de peças e componentes, mas dê estímulo à exportação ou à produção doméstica ­ e a taxa de câmbio pode fazer isso" e que o Brasil caminha, sim, para um período de recessão". Completou dizendo que "quem foi cúmplice de uma valorização cambial prolongada e danosa não pode deixar de considerar os equívocos que cometeu". Em seu artigo "Feliz ajuste fiscal", publicado neste mês, na Carta Capital, Belluzo disse que "o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, manifestou sua rejeição ao patrimonialismo. O ministro utilizou o conceito para designar a concessão de incentivos, subsídios e favorecimentos a determinados setores da economia". Ainda segundo Belluzzo em seu artigo, "o Brasil, o patrimonialismo capitalista vestiu muitas máscaras ao longo da história, mas hoje sua identidade fugidia pode ser desvendada na fiscalidade. Vamos enveredar pela estrutura tributária e de gasto para entender o caráter regressivo e concentrador dos juros de agiota sobre dívida pública". Em outro momento, o economista cita que "entre 1995 e 2011, o Estado brasileiro transferiu para os detentores da dívida pública, sob a forma de pagamento de juros reais, um total acumulado de 109,8% do PIB. Se avançarmos até 2014, essa transferência de renda e riqueza chega a 125% do PIB. Isso significa atirar ao colo dos detentores de riqueza financeira, ao longo de 19 anos, um PIB anual, mais um quarto. É pelo menos curioso que os idealizadores do “impostômetro” não tenham pensado na criação do “jurômetro”.
Tags:
Edições digital e impressa