Bélgica cobra explicações oficiais sobre espionagem dos EUA
A Bélgica pediu à Grã-Bretanha uma resposta às acusações de que o serviço de inteligência britânico invadiu a rede de informática da provedora de telecomunicações belga Belgacom.
A Bélgica pediu à Grã-Bretanha uma resposta às acusações de que o serviço de inteligência britânico
A Bélgica pediu à Grã-Bretanha uma resposta às acusações de que o serviço de inteligência britânico invadiu a rede de informática da provedora de telecomunicações belga Belgacom. O Ministério Público belga disse em setembro que estava investigando uma suspeita de espionagem por parte de um Estado estrangeiro contra a Belgacom, principal provedora de telecomunicações da Bélgica e também uma líder no tráfego de voz na África e no Oriente Médio.
A revista alemã Der Spiegel informou posteriormente que a agência de vigilância eletrônica britânica GCHQ havia colocado um vírus na rede da Belgacom.
– Após o artigo da Der Spiegel, o governo pediu aos serviços de inteligência belgas para pedir mais informações a seus colegas britânicos – disse uma fonte próxima ao governo.
Um porta-voz da GCHQ disse:
– Nós não estamos fazendo qualquer comentário.
A Belgacom disse em uma audiência perante o Parlamento Europeu, na quinta-feira, que tinha removido o vírus de seus sistemas e que uma investigação sobre quem era responsável pelo ataque estava em andamento. Um representante da GCHQ previsto para falar na mesma audiência não compareceu.
Contaminada
A empresa de telecomunicações belga não consegue livrar-se dos softwares de espionagem que foram instalados na sua rede, várias semanas depois do ciberataque de que foi alvo, tal como a sua filial Belgacom International Carrier Services (Bics). Apesar de a Belgacom afirmar ter resolvido o problema, uma informação confirmada no dia 3 de outubro pelo responsável do setor na empresa durante audiência no Parlamento Europeu, várias fontes dizem o contrário no Standaard, explicando que “os softwares de (pirataria) são muito complexos e que correm o risco de sofrer mutações, o que explica o quão difícil é combatê-los”. O jornal acrescenta que é muito provável que os serviços secretos americanos (NSA) e britânicos (GCHQ) estejam por trás deste ato de pirataria.
Segundo um estudo recente da Belgacom, na sequência das revelações sobre as escutas norte-americanas, desde 2001 que a NSA pirateia as chamadas telefônicas internacionais que passam pelo operador belga. De Standaard escreve que se trata de uma informação “extremamente sensível, sobretudo sob o ponto de vista político, uma vez que o Estado é o principal acionista da empresa”. Segundo o jornal, “os piratas estavam especialmente interessados na Bics, uma filial da Belgacom”, porque é o operador de telecomunicações mais importante de África e do Médio Oriente.
Ao que parece, eram sobretudo as conversas com números de telefone de países como o Iémen, a Síria e outros países considerados ‘Estados párias’ pelos Estados Unidos, que eram gravadas. O jornal sublinha que a NSA vigiava igualmente as transações financeiras internacionais, como revelou Der Spiegel Online, a 15 de setembro.
Tags:
Relacionados
Edições digital e impressa
Utilizamos cookies e outras tecnologias. Ao continuar navegando você concorda com nossa política de privacidade.