Rio de Janeiro, 06 de Outubro de 2026

Beija-Flor, em noite de Neguinho, lava a alma em busca do tri

A bicampeã Beija-Flor deu um banho na avenida com o melhor desfile da primeira noite do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro. A escola ainda viu seu intérprete, Neguinho, que enfrenta um câncer, casar na Sapucaí e ser saudado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.(Leia Mais)

Segunda, 23 de Fevereiro de 2009 às 08:35, por: CdB

A bicampeã Beija-Flor deu um banho na avenida com o melhor desfile da primeira noite do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro. A escola ainda viu seu intérprete, Neguinho, que enfrenta um câncer, casar na Sapucaí e ser saudado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

– Sem dúvida foi o melhor Carnaval da minha vida – disse Neguinho da Beija-Flor, que tem 34 anos de Carnaval.

– Depois de passar uma cirurgia eu não esperava passar por isso novamente – acrescentou o puxador ao deixar a avenida, no início desta segunda-feira, assediado por fãs e jornalistas.

A escola de Nilópolis, em seu enredo que conta a história do banho ao longo da humanidade, manteve o luxo característico e fez jorrar água de seus carros, inclusive com aroma de perfume.
O carro abre-alas, formado por três partes, representou o início do hábito de se banhar no Egito antigo. A escola abusou das plumas em suas fantasias, inicialmente, com a predominância de cores claras (branco e azul), que depois deram espaço a preto e violeta, representando a fase das trevas, quando o banho foi excomungado.

– Cumprimos o que a escola se propôs – disse o carnavalesco Laíla, que na conquista dos títulos dos últimos dois anos esteve à frente da Beija-Flor.

O samba No Chuveiro da Alegria, Quem Banha o Corpo Lava a Alma na Folia, também seduziu o público, incluindo o presidente Lula e a primeira-dama, Marisa Letícia. Lula, pela primeira vez no sambódromo do Rio desde que assumiu o cargo, saudou o intérprete do camarote de onde assistiu aos desfiles.

– "O presidente Lula é meu amigo, cantei em todas as campanhas que ele fez – disse Neguinho, que minutos antes se casou na avenida, numa cerimônia breve à qual havia convidado o presidente para participar e ser padrinho.

– Por motivos de segurança ele não pôde ir. A gente fica triste, mas entende – afirmou o puxador, que trava uma luta contra um câncer no intestino.

Na torcida, a escola também contou com o apoio do cantor Roberto Carlos, que causou alvoroço e confusão ao pisar na Sapucaí, rodeado por seguranças, para assistir à participação do filho na bateria.

Crise

Além do banho da Beija-Flor, que deixou a passarela molhada e provocou alguns escorregões, o público que foi à Sapucaí também relembrou o samba antigo A Lenda das Sereia..., do Império Serrano, e fez uma viagem à França, apreciando desde o Arco do Triunfo até o cabaré Moulin Rouge, de onde vieram dançarinas do famoso cancan só para se apresentar na Sapucaí.
A escola de Duque de Caxias, no entanto, sofreu com a queda de um destaque do carro da comissão de frente e uma falha elétrica que deixou a Torre Eiffel apagada.

A Mocidade Independente de Padre Miguel, que falou sobre os escritores Machado de Assis e Guimarães Rosa, também sofreu um revés. Na concentração, o carnavalesco Cláudio Cavalcanti (Cebola) foi atropelado por um carro-alegórico e foi socorrido. O mesmo carro ainda teve um princípio de incêndio.

O centenário do Theatro Municipal foi festejado pela Vila Isabel com carros-alegóricos que se transformavam. Em um deles, cortiços da cidade viravam o teatro. Na comissão de frente, camas viraram palco.

Confiante no desempenho da escola que conquistou o título em 2006 e minimizando o impacto da crise financeira que limitou os recursos das escolas, o carnavalesco Alex de Souza ficou satisfeito.

– A crise que atingiu outras escolas passou ao largo na Vila Isabel, por isso conseguimos fazer um bom desfile – disse Souza, parceiro na escola do também carnavalesco Paulo Barros.

Ao contrário, a Unidos da Tijuca encerrou os desfiles já no amanhecer tentando.

– A crise afetou o nosso Carnaval. Vamos fechar pela primeira vez no déficit – disse o presidente da Unidos da Tijuca, Fernando Horta.

– Fizemos o possível e o impossível para colocar este Carnaval na Sapucaí – acrescentou.

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