Bancos centrais ao redor do mundo cortaram suas taxas básicas de juros em uníssono nesta quarta-feira, em uma resposta conjunta contra a crise financeira global, o que ajudou os mercados acionários, mas não evitou a corrida aos bancos em Hong Kong, onde clientes do banco JP Morgan tentaram sacar suas economias, após manifestação pelas ruas de uma das principais capitais financeiras da ásia.
Nos EUA, o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, cortou sua taxa básica de juro em 50 pontos-básicos, para 1,5%. A China, o Banco Central Europeu (BCE) e os bancos centrais da Grã-Bretanha, do Canadá, da Suécia e da Suíça também cortaram suas taxas de juro em uma resposta coordenada que analistas vinham exigindo.
Os índices futuros de ações dos EUA subiram com a notícia e os mercados acionários ao redor do globo reduziram suas perdas. Mas passada a euforia, os indicadores voltaram ao vermelho.
– O fato deles terem atravessado a fronteira sugere que esse é o lance final. Isso vai ajudar os mercados? questionável no curto prazo – afirmou Peter Dixon, economista do Commerzbank em Londres.
Os cortes aconteceram depois de uma série de pedidos, por parte de economistas e líderes políticos, para uma ação coordenada, depois das diversas tentativas dos bancos centrais de injetarem recursos nos mercados globais para tentar conter a crise de confiança.
– Os bancos centrais do mundo finalmente acordaram para gravidade da situação atual – afirmou Charles Diebel, estrategista-chefe de renda fixa da Nomura.
Mais cedo, o governo da Grã-Bretanha havia oferecido injetar ao menos 50 bilhões de libras (US$ 87,2 bilhões) em seus maiores bancos de varejo a fim de ajudá-los a sobreviver em meio à crise. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, disse que o mercado financeiro global havia parado de funcionar depois de os débitos podres gerados pelo colapso do mercado imobiliário nos EUA terem contaminado o sistema.
"Os dados mais recentes sobre a economia sugerem que o ritmo da atividade econômica diminuiu marcadamente nos últimos meses. Além disso, a intensificação do tumulto no mercado financeiro deve restringir ainda mais os gastos, em parte porque reduziria ainda mais a capacidade de pessoas físicas e empresas obterem crédito", disse o Fed, em um comunicado.