O Banco Central Europeu (BCE) não irá ajudar bancos individuais se os testes de estresse mostrarem que eles estão com problemas, disse José Manuel Gonzalez-Paramo, membro do conselho da autoridade monetária. Questionado sobre se o BCE ofereceria ajuda, ele respondeu que:
– Absolutamente não. Isso é algo para governos e autoridades nacionais.
Ele acrescentou, durante reunião dos Bancos Centrais em Málaga, que os testes de estresse levarão confiança ao sistema financeiro.
Em Santander, na Espanha, o vice-presidente do BC espanhol, Javier Aristegui, garantiu que o sistema bancário do país, um dos mais afetados pela crise de confiança no sistema capitalista, continua saudável, como um todo. Aristegui participou de uma conferência nesta sexta-feira.
– O sistema bancário da Espanha, como um todo, é saudável, mesmo se existirem diferenças nas posições financeiras das entidades dentro dele – afirmou Ariztegui.
Enquanto Ariztegui participava do encontro, na cidade-sede do maior banco espanhol, o grupo espanhol confirmava, em Madri, nesta sexta-feira, sua oferta por 318 unidades britânicas do Royal Bank of Scotland, prosseguindo com sua estratégia de expansão no Reino Unido. O Santander, maior financiador da zona do euro, é o único interessado restante pelas unidades que o RBS foi obrigado a colocar à venda por órgãos reguladores. O acordo aumentaria a rede britânica do Santander em cerca de 25 por cento, garantindo à instituição 12 por cento do mercado.
Fontes familiares com a situação sugeriram que as unidades do RBS serão negociadas entre 1,5 bilhão e 1,8 bilhão de libras (US$ 2,23 bilhões a US$ 2,67 bilhões). A venda pode ser finalizada em meados do segundo semestre, disse uma das fontes à agência inglesa de notícias Reuters. Por meio do acordo, o Santander herdaria 1,8 milhão de novos clientes britânicos no varejo, além de 230 mil contas de pequenas empresas e 1,2 mil clientes corporativos de maior porte.
O RBS, que depois da crise financeira passou a ter 83 por cento de participação do governo, está vendendo as unidades como condição da União Europeia pelo apoio estatal concedido. O Santander já era apontado como líder na disputa pelo RBS, uma vez que a redução de custos com a integração das unidades no Reino Unido possibilitaria uma oferta maior. A instituição possui forte presença britânica desde 2004, quando comprou a financiadora Abbey.
O banco espanhol afirmou nesta sexta-feira não saber quando o processo de venda será concluído, e não revelou o tamanho da oferta. Já o RBS preferiu não comentar o assunto.
Nos EUA
Uma das instituições financeiras mais afetadas pela crise do capitalismo mundial, o Citigroup está tentando levantar mais de US$ 3 bilhões para fundos de hedge e private equity este ano, segundo afirmou uma fonte próxima do assunto. O trabalho para o levantamento de recursos acontece enquanto parlamentares dos Estados Unidos consideram nova lei que força os bancos a protegerem seus negócios com fundos de hedge e private equity.
O Citi Capital Advisors, uma unidade do Citigroup, pode buscar US$ 1,5 bilhão para private equity e US$ 750 milhões para fundos de hedge, disse a fonte. O Citi ainda espera levantar US$ 1 bilhão adicionais para fundos de hedge no ano que vem, de acordo com a fonte. O Citi Capital Advisors é uma unidade de gestão de ativos alternativos que oferece estratégias e produtos para investidores selecionados e de valor ultra elevado.
O Citigroup, respondendo a um pedido de comentário, disse em comunicado que "independentemente do resultado final da reforma financeira, nossa prioridade será sempre a proteção dos interesses dos clientes, que nos selecionaram como agente fiduciário de seus ativos".