Rio de Janeiro, 25 de Setembro de 2026

BC vê pressões de preços livres e administrados

O Banco Central prevê uma inflação maior este ano, de 6,4%, em razão tanto de pressões de preços administrados como, em meio à retomada da demanda interna, de preços livres. O BC esperava em março uma inflação para o ano de 5,2%, mas o cenário mudou e agora ele vê a taxa acima do centro da meta perseguida este ano, de 5,5%. (Leia Mass)

Quarta, 30 de Junho de 2004 às 08:28, por: CdB

O Banco Central prevê uma inflação maior este ano, de 6,4%, em razão tanto de pressões de preços administrados como, em meio à retomada da demanda interna, de preços livres. O BC esperava em março uma inflação para o ano de 5,2%, mas o cenário mudou e agora ele vê a taxa acima do centro da meta perseguida este ano, de 5,5%. A meta central da política adotada pelo BC em 1999 prevê a tolerância de 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo, ou seja, a inflação deste ano pode chegar a 8%.

- O aumento da projeção de inflação deve-se em parte à elevação da estimativa de reajuste de preços administrados e principalmente à elevação da projeção de inflação de preços livres - disse o BC nesta quarta-feira no Relatório de Inflação do segundo trimestre.

A autoridade monetária destacou que embora o crescimento das exportações continue contribuindo para a recuperação do nível de atividade, a retomada da demanda interna também tem ajudado desde o segundo semestre do ano passado.

O BC mudou a previsão de aumento de preços administrados em 2004 de 7,3% para 7,7% e a dos preços livres de 4,4% para 5,9%. A autoridade monetária acrescentou que pressões temporárias devem continuar a pesar sobre a inflação nos próximos meses, como a advinda de reajustes de telefonia e energia elétrica e de elevações de alimentos em razão de fatores climáticos.

Para 2005, o BC prevê um avanço do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4,4%, também acima da estimativa anterior, de 4,2%. Neste caso, a taxa segue abaixo do centro da meta do ano que vem, de 4,5%.

Para Marcelo Ávila, economista-chefe da consultoria Global Station, esse prognóstico levemente abaixo do centro do alvo de 2005 significa que o Conselho Monetário Nacional (CMN) não deve alterar a meta do ano que vem nesta tarde.

O CMN - composto pelos ministros da Fazenda e do Planejamento e pelo presidente do BC - reúne-se às 16h para definir a meta de 2006 a ser perseguida pelo BC naquele ano. Ele também poderia fazer mudanças no alvo de 2005. Ávila ressaltou, no entanto, que a meta de 4,5% "é muito baixa, é muito ambiciosa" e reduz o espaço para quedas de juros.

Preocupações externas

Desde o último relatório, divulgado no fim de março, a mudança mais importante no cenário com o que o Copom trabalha - com Selic em 16% e câmbio a 3,10% - diz respeito ao aumento da volatilidade externa, decorrente principalmente das incertezas sobre o ritmo da política monetária norte-americana nos próximos meses.

- A esse fator central, agregam-se incertezas associadas à trajetória dos preços do petróleo no futuro próximo e à possibilidade de que a economia chinesa consiga reduzir seu ritmo de crescimento de uma forma ordenada - destacou o documento.

O Federal Reserve anuncia sua decisão sobre os juros norte-americanos nesta tarde, às 15h15 (horário de Brasília). Economistas prevêem uma alta de 0,25 ponto percentual, para 1,25%.

Apesar das turbulências recentes, o BC ponderou que as perspectivas para a economia no médio prazo continuam favoráveis. O relatório manteve o prognóstico para o crescimento econômico em 2004 em 3,5%.

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