O setor público reduziu a economia feita para honrar seus compromissos financeiros. Segundo dados do Banco Central (BC), divulgados nesta quinta-feira, o superavit primário do setor público consolidado (Banco Central, Tesouro, Previdência, governos estaduais, municipais e empresas estatais) no mês de julho chegou a R$ 3,180 bilhões, valor bem menor do que o registrado no mesmo período do ano passado (R$ 11,057 bilhões). Segundo o BC, esse resultado foi o pior para meses de julho em toda a série histórica do BC, iniciada em dezembro de 2001. O superavit primário é a diferença entre as receitas e as despesas, sem considerar os gastos com pagamentos de juros da dívida pública.
Nos sete meses do ano, o valor chegou a R$ 38,435 bilhões, contra os R$ 92,770 bilhões registrados de janeiro a julho de 2008. De acordo com o BC, o valor acumulado até o mês passado foi o pior desde o mesmo período de 2002 (R$ 35,557 bilhões). “A queda da arrecadação das receitas federais, influenciada pelo menor nível de atividade e pelas medidas de desoneração adotadas para fazer frente à crise financeira internacional, segue repercutindo sobre o resultado acumulado do ano”, informa nota do BC.
Entretanto, para o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, a expectativa é de melhora nos resultado resultado primário, por conta da retomada da atividade econômica e consequente aumento da arrecadação."Os sinais de retomada da atividade econômica estão evidentes", disse.
Neste ano, o governo mudou a meta para o superavit primário em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país. A meta caiu de 3,8% para 2,5% do PIB. O governo tirou a Petrobras dos cálculos do superavit primário, com o objetivo de aumentar a capacidade de gastos e investimentos em meio à crise financeira internacional. Nos 12 meses encerrados em julho, o superavit primário é de R$ 52,085 bilhões. Esse valor corresponde a 1,76% do PIB, o menor percentual da série para o período em toda a série histórica do BC.
Em julho, o Governo Central (Tesouro, Previdência, Banco Central) contribuiu de R$ 1,691 bilhão para o superavit primário. Os governos estaduais, com R$ 1,269 bilhão e os municipais tiveram deficit nominal de 472 milhões. As empresas estatais contribuíram com R$ 692 milhões. Lopes ressaltou que apesar de o resultado primário não ter sido “tão bom”, há uma redução do pagamento de juros, que chegou a R$ 16,169 bilhões em julho e a R$ 95,106 bilhões nos sete meses do ano. Esses valores foram menores do que os registrados nos mesmos períodos do ano passado: R$ 18,939 bilhões e R$ 107,833 bilhões, respectivamente.
Ao serem incluídos os gastos com juros, tem-se o resultado nominal. No mês passado, o superavit nominal foi de R$ 12,989 bilhões, contra R$ 7,883 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. De janeiro a julho deste ano, o valor foi de R$ 56,671 bilhões, contra R$ 15,063 bilhões registrados no mesmo período de 2008.