O déficit em transações correntes (todas as operações do Brasil com o exterior), indicador usado para medir a vulnerabilidade externa do país, chegou a US$ 591 milhões em fevereiro. Os dados foram divulgados nesta terça-feira pelo Banco Central. No acumulado do ano, o déficit em transações correntes está em US$ 3,344 bilhões. No mesmo período do ano passado, esse valor era de US$ 5,910 bilhões.
No mês, a conta de serviços e rendas (juros, lucros e dividendos e viagens internacionais) contribuiu para o resultado com o déficit de US$ 2,629 bilhões e somou US$ 5,171 bilhões. A balança comercial (exportações menos importações) registrou superávit de US$ 1,766 bilhão, em fevereiro, e acumulou US$ 1,242 bilhão nos dois primeiros meses do ano, após registrar déficit de US$ 524 milhões em janeiro. As transferências unilaterais tiveram resultado positivo de US$ 273 milhões em fevereiro e de US$ 585 milhões no acumulado do ano.
A expectativa do mercado era que o déficit ficasse em US$ 600 milhões, segundo a mediana de pesquisa feita pela agência inglesa de notícias Reuters junto a 23 analistas. As projeções variaram entre um déficit de US$ 2 bilhões e zero. Em 12 meses até fevereiro, o déficit em transações correntes correspondeu a 1,73% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 1,76% do PIB em 12 meses até janeiro.
Os investimentos estrangeiros diretos no país somaram US$ 1,968 bilhão no mês passado. Em fevereiro de 2007, esses investimentos foram de US$ 890 milhões. O BC revisou para baixo sua projeção de déficit em transações correntes em 2009 para US$ 16 bilhões, ante estimativa anterior, feita em dezembro, de US$ 25 bilhões. O movimento refletiu, principalmente, uma redução da projeção para remessas e dividendos para US$ 15 bilhões, ante US$ 20 bilhões, e uma elevação do prognóstico de superávit comercial para US$ 17 bilhões, contra US$ 14 bilhões.
O BC reduziu fortemente sua projeção para as importações no ano em meio à desaceleração econômica (para US$ 141 bilhões, contra US$ 179 bilhões) e também para as exportações - para US$ 158 bilhões, frente a estimativa anterior de US$ 193 bilhões. A projeção para os investimentos estrangeiros diretos caiu para US$ 25 bilhões, ante estimativa anterior de US$ 30 bilhões. Em 2008, os investimentos diretos no Brasil somaram o valor recorde de US$ 45,060 bilhões.
Ainda segundo o BC, o déficit em conta corrente revisado saiu de US$ 25 bilhões para US$ 16 bilhões. A projeção para a o superávit comercial agora é de US$ 17 bilhões e não mais de US$ 14 bilhões. Para conta de rendas e serviços a estimativa passou de US$ 41,5 bilhões para US$ 36 bilhões. Também foi alterada de US$ 20 bilhões para US$ 15 bilhões a projeção de remessas de lucros e dividendos ao exterior.
Para o déficit na conta de viagens internacionais, formada pelos gastos de brasileiros no exterior e receitas de estrangeiros no Brasil, o Banco Central revisou a projeção de US$ 1,5 bilhão para US$ 2,5 bilhões.