Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

BC reduz estimativa de crescimento para o Brasil até o final do ano

A estimativa do Banco Central para o crescimento da economia (Produto Interno Bruto-PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país) em 2009 foi revisada de 1,2% para 0,8%. A informação consta do Relatório Trimestral de Inflação, divulgado nesta sexta-feira pelo Banco Central. (Leia Mais)

Sexta, 26 de Junho de 2009 às 09:06, por: CdB

A estimativa do Banco Central para o crescimento da economia (Produto Interno Bruto-PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país) em 2009 foi revisada de 1,2% para 0,8%. A informação consta do Relatório Trimestral de Inflação, divulgado nesta sexta-feira pelo Banco Central. Segundo o relatório, a projeção menor “reflete, em especial, o impacto de projeções menos favoráveis” para o desempenho da indústria. O relatório também informa que o resultado do PIB no primeiro trimestre sugere “que a desaceleração econômica que sucedeu a intensificação da crise financeira poderá ser menos intensa do que o previsto inicialmente”.

Ainda segundo o relatório do BC, neste ano a inflação oficial poderá chegar a 4,1%, índice 0,1 ponto percentual superior ao previsto em março. A estimativa está abaixo do centro da meta de inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 4,5% para 2009 e 2010. Para o próximo ano, o BC revisou a estimativa de 4% para 3,9%. Essas projeções do Banco Central dizem respeito ao cenário de referência, que pressupõe que a Selic será mantida no atual patamar de 9,25% ao ano e o dólar valerá R$ 1,95.

No relatório, há também as projeções para a inflação no cenário de mercado, em que as projeções são feitas com base nas estimativas para a Selic e taxa de câmbio de instituições financeiras consultados pelo Banco Central. Nesse cenário, a expectativa para a taxa de câmbio ao final de 2009 é de R$ 2 e para a Selic é de 9% ao ano. Com isso, a previsão para a inflação neste ano é de 4,2%, 0,1 ponto percentual acima do previsto em março. Para 2010, a projeção também é de 4,2%, contra os 4,4% estimados no relatório anterior.

Consumo

O consumo no Brasil pode ser afetado pela piora nas condições do mercado de trabalho e pela reversão de isenções tributárias, na avaliação do BC. Apesar desse risco, o Banco considera que o consumo é o terceiro fator essencial que vai estimular a retomada da atividade econômica brasileira, afetada pela crise financeira internacional, que se agravou em setembro do ano passado.

Segundo o relatório, o consumo no país “está relativamente resistente, em função, em parte, do recuo da inflação”. Além da menor inflação, a compra de bens e serviços é estimulada pela melhora nas condições do crédito, que foi afetado pela crise com a redução da oferta.

Outro fator apontado pelo BC que vai contribuir para a retomada da economia é que o país '”está mais resistente a choques externos”. O relatório também cita a política monetária (atuação do BC para aumentar os recursos disponíveis na economia e o nível dos juros básicos) e os estímulos da política fiscal (atuação do governo com relação à arrecadação de impostos e gastos).

Além desses três fatores, o relatório cita melhora nas expectativas quanto ao desempenho da economia. “É importante mencionar que, em relação ao trimestre passado, o clima de confiança se alterou para melhor no país e parece emergir certo consenso de que o pior da crise já teria sido superado”, destaca o relatório.

Contudo, diz o relatório, permanece ainda razoável incerteza sobre as projeções de crescimento da economia. “O risco, nesse caso, é de que a recuperação seja mais lenta do que a contida nas projeções atuais”. Segundo o BC, os investimentos devem se recuperar lentamente e as exportações “continuarão sofrendo os efeitos de uma contração econômica global que ainda mostra sinais de persistência”.

Com relação à inflação, ainda há a possibilidade de um risco de elevação, devido “a mecanismos de reajuste que contribuem para prolongar no tempo pressões inflacionárias observadas no passado, como evidencia o comportamento dos preços dos serviços e de itens dos preços administrados, desde o início do ano”.

O BC reforçou que a os mecanismos de indexação de preços, mesmo que informais, “reduzem a sensibilidade da inflação às flutuações da demanda (procura por bens e serviços)”.

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