O Banco Central revisou a projeção para o déficit em transações correntes ao final deste ano de US$ 12 bilhões para US$ 21 bilhões, abaixo da projeção de mercado de US$ 23 bilhões. A estimativa consta da Nota do Setor Externo, divulgada nesta segunda-feira, pelo Banco Central. A conta de transações correntes é formada pela balança comercial (exportações menos importações), transferências unilaterais correntes (recursos enviados por brasileiros residentes no exterior) e por serviços e rendas (como lucros e dividendos e viagens internacionais).
A redução do saldo em transações correntes neste ano é explicada pela redução da cotação do dólar, o que leva a um menor saldo da balança comercial, com crescimento das importações em ritmo maior do que das exportações. Outro fator é o aumento do envio de remessas de lucros de dividentos de empresas filiais no Brasil para as matrizes no exterior.
No caso do saldo da balança comercial, o projeção passou de US$ 27 bilhões para US$ 25 bilhões, com exportações de US$ 182 bilhões e importações de US$ 157 bilhões, neste ano. A estimativa para o déficit da conta de renda e serviços também foi alterada, passando de US$ 42,8 bilhões para US$ 49,8 bilhões. Em relação aos lucros e dividendos, o déficit estimado é de US$ 29 bilhões, contra US$ 24 bilhões previstos anteriormente. No caso das viagens internacionais, a estimativa de déficit passou de US$ 4 bilhões para US$ 5 bilhões.
O Banco Central também revisou a projeção para o investimento estrangeiro direto (caracterizado pelo interesse duradouro do investidor na atividade produtiva do empreendimento), passando de US$ 32 bilhões para US$ 35 bilhões.
Balança comercial
A balança comercial brasileira registrou superávit (saldo positivo) de US$ 346 milhões, na terceira semana de junho. As vendas externas alcançaram US$ 4,097 e as importações, US$ 3,751. No mês, a balança comercial acumula US$ 1,5 bilhão e no ano, US$ 10,156 bilhões.
Em comparação ao período janeiro-junho do ano passado, os números mostram que as importações continuaram com força e registraram um aumento significativo de 51,4% na média por dia útil, contra 24,2% na média por dia útil das exportações. O saldo da balança no mesmo período registrou queda de 46,5%.
Saldo comercial
O saldo das transações correntes do Brasil (todas as operações do país com o exterior) ficou negativo em US$ 649 milhões em maio, acumulando US$ 14,717 bilhões no ano.
No ano passado o resultado foi negativo em maio em US$ 151 milhões e positivo em US$ 1,897 bilhão no acumulado de cinco meses. Os dados são da Nota do Setor Externo, divulgada nesta terça-feira pelo Banco Central. A balança comercial registrou superávit de US$ 4,077 bilhões no mês passado e acumulou US$ 8,656 bilhões em cinco meses, contra US$ 3,856 bilhões de maio do ano passado e US$ 16,754 bilhões, de janeiro a maio de 2007.
A conta de rendas e serviços (remessas de lucros, dividendos e juros aos exterior e gastos com viagens internacionais) fechou o mês com déficit de US$ 4,990 bilhões e no acumulado 24,905 bilhões. O investimento estrangeiro direto no Brasil (caracterizado pelo interesse duradouro do investidor na atividade produtiva do empreendimento) ficou em US$ 1,313 bilhões no mês, contra o resultado de US$ 497 milhões do mesmo período do ano passado. No acumulado do ano, o investimento estrangeiro direto acumula US$ 13,984 bilhões, contra US$ 10,534 bilhões do mesmo período do ano passado.