Rio de Janeiro, 06 de Novembro de 2026

BC prevê inflação acima do centro da meta para este ano

Quinta, 27 de Março de 2008 às 06:08, por: CdB

Em 2008, a inflação deverá permanecer em 4,6%, 0,1 ponto percentual acima do centro da meta fixada pelo governo (4,5%), segundo projeção do Relatório Trimestral de Inflação divulgado nesta quinta-feira pelo Banco Central. O índice é 0,3 ponto maior do que o projetado em dezembro de 2007. A projeção leva em conta a manutenção do dólar em R$ 1,70 e dos juros em 11,25%, dados conhecidos como cenário de referência.

A meta fixada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) para a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano é de 4,5%, com margem de dois pontos percentuais a mais ou a menos. Para 2009, a projeção da inflação acumulada em doze meses parte de 4,3% no primeiro trimestre e termina o ano em 4,4%. No cenário de mercado (projeções semanais de analistas do mercado financeiro), a previsão para a inflação de 2008 é de 4,7%, maior 0,4 ponto percentual do que a projetada em dezembro.

Turbulências internacionais

Ainda segundo o relatório do BC, a volatilidade deverá permanecer intensa nos mercados internacionais, nos próximos meses, com o aumento nas incertezas em relação ao desempenho da economia norte-americana. "O processo de fragilização ao qual os mercados financeiros internacionais vem sendo submetidos deverá continuar, podendo se intensificar, nos próximos meses, tendo em vista os desdobramentos da crise no mercado 'subprime' sobre a confiança em outras complexas estruturas financeiras", diz o documento.

O BC, conforme o relatório, acredita que falta dinamismo à economia norte-americana, com uma redução acentuada do Produto Interno Bruto (PIB), o que deixa aos demais países do mundo a tarefa de manter o comércio internacional e o crescimento global em 2008. "Nesse cenário, o desempenho das demandas domésticas na Europa e no Japão, assim como na China e nas demais economias emergentes de grande porte, passa a desempenhar influência crescente para as condições gerais do comércio internacional e do crescimento do produto mundial em 2008", afirma o BC.

Os investimentos no Brasil, porém, continuarão em fase de crescimento, graças ao fortalecimento do mercado interno, apesar das incertezas internacionais, acredita a autoridade monetária do país. "Essa melhora concorre, por exemplo, para a manutenção do risco-país em patamar reduzido, estimulando assim o ingresso de investimentos externos. Adicionalmente, a apreciação do real favorece a intensificação das importações de bens de capital, relevantes para o reaparelhamento do parque industrial atualmente operando com alto nível de utilização da capacidade instalada com conseqüências positivas sobre a produtividade", assinala o documento.

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