Rio de Janeiro, 26 de Janeiro de 2026

BC não tem data certa para ‘flexibilizar a política monetária’, afirma Goldfajn

Em sua fala inicial, Goldfajn reiterou a avaliação que o BC já tinha feito no Relatório Trimestral de Inflação. Ele falou sobre as três condições em relação às quais precisa ver melhoria antes de reduzir a Selic

Terça, 04 de Outubro de 2016 às 11:30, por: CdB

Em sua fala inicial, Goldfajn reiterou a avaliação que o BC já tinha feito no Relatório Trimestral de Inflação. Ele falou sobre as três condições em relação às quais precisa ver melhoria antes de reduzir a Selic

 
Por Redação - de Brasília
  O Banco Central não tem cronograma preestabelecido para flexibilização da política monetária, afirmou nesta terça-feira o presidente do BC, Ilan Goldfajn, em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. — Qualquer decisão será tomada nas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária), com base na evolução da combinação dos fatores e nas expectativas e projeções de inflação. É a evolução favorável dos fatores que propicia ao Copom o conforto com suas projeções em direção à meta, que é seu objetivo principal. Em suma, a flexibilização das condições monetárias dependerá de fatores que permitam que os membros do comitê tenham confiança no alcance das metas para a inflação — afirmou Ilan.
ilan-goldfajn.jpgPresidente do BC, Ilan Goldfajn avalia a queda na arrecadação e o aumento no volume de crédito
Em sua fala inicial, Goldfajn reiterou a avaliação que o BC já tinha feito no Relatório Trimestral de Inflação. Ele falou sobre as três condições em relação às quais precisa ver melhoria antes de reduzir a Selic.

BC: alimentos pressionam

Sobre a persistência dos efeitos do choque de alimentos na inflação, ele repetiu que evidências recentes indicam queda nos preços de alimentos. O principal declínio tem sido no atacado e tem se transmitido para o varejo. Acrescentou que projeções para subitens de alimentos parecem mostrar maior segurança na reversão do choque de preços, nesse setor. Quanto aos serviços, o presidente do BC repetiu que ainda há sinais inconclusivos quanto à velocidade de desinflação em direção à meta. Falando sobre os desenvolvimentos no fronte fiscal, Ilan ponderou mais uma vez que há sinais positivos do encaminhamento e apreciação das reformas fiscais. Mas o processo de tramitação ainda está no início e permanecem incertezas quanto à aprovação e à implementação dos ajustes. Ilan reforçou, ainda, a importância da aprovação das reformas para restaurar a confiança dos agentes econômicos. Pretende, assim, criar condições para a recuperação econômica, com inflação baixa e estável. Também avaliou que é preciso revisitar e propor a modernização do marco legal para atuação do BC.

Diferencial de juros

Questionado sobre o tamanho das reservas internacionais, Ilan reconheceu que elas têm um custo elevado. O que ele atribui ao devido diferencial de juros no Brasil e no exterior. Mas avaliou que o país se endividou para acumular reservas porque elas funcionam como um seguro necessário. — Para frente, nós vamos olhar quando acabar essa crise, quando as coisas estiverem mais calmas, vamos avaliar o tamanho das reservas pelo diferencial de juros. E esperamos que ao longo do tempo, se as condições estiverem aqui e sim, se as condições fiscais também nos ajudarem, o diferencial de juros pode ao longo do tempo ir diminuindo com relação ao resto do mundo e talvez torne as reservas menos caras — disse. Ilan negou que o BC esteja usando o câmbio como instrumento da inflação. Do contrário, disse, não estaria reduzindo o estoque de swaps como está fazendo. A esse respeito, novamente pontuou que o BC tem diminuído sua posição sem alterar a tendência do mercado de câmbio. Mas o espaço para essa atuação tem se estreitado, devido a proximidade da normalização das condições monetárias nos EUA.
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