O Banco Central reafirmou a manutenção política monetária, com o aumento dos juros básicos, enquanto houver risco de alta da inflação. Para os técnicos do banco, ainda há descompasso entre o ritmo de crescimento da procura por bens e serviços e da oferta. A constatação está no Relatório Trimestral de Inflação, divulgado nesta segunda-feira, pelo Banco Central.
Segundo o BC, o aumento da renda, o crescimento do crédito e as transferências governamentais continuam impulsionando a demanda no país. “A esse cenário somam-se, no conjunto de informações considerado pelo Comitê (de Política Monetária - Copom) evidências de que a demanda doméstica ainda se encontra aquecida e o fato de que decisões correntes de política monetária terão impactos concentrados no final de 2008 e em 2009”. No início deste ano, a taxa básica de juros, a Selic, estava em 11,25% ao ano e já está em 13,75% ao ano.
O BC também ressalta que, em princípio, a descaleração da economia mundial e a redução dos preços das commodities (produtos primários com cotação internacional) poderiam contribuir para reduzir as pressões inflacionárias. Mas, segundo do documento, “o aprofundamento da crise financeira internacional tem sido acompanhado pela depreciação de várias moedas nacionais frente ao dólar, o que tende a gerar pressões inflacionárias fora dos Estados Unidos”.
No caso brasileiro, diz o documento, o recuo dos preços das commodities tende a reduzir a oferta de moeda norte-americana no mercado doméstico, tanto por meio do comércio interncional quanto~por meio de operações financeiras, o que pressiona o mercado de câmbio. “Não menos importante é o fato de que a inflação elevada verificada nos últimos trimestres em diversas economias pode gerar efeitos de segunda ordem, por exemplo, por intermédio de negociações salariais, e assim pressionar a inflação”.
Preços em queda
Os analistas do mercado financeiro reduziram de 6,23% para 6,14% a estimativa da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Foi a nona semana consecutiva de projeção em queda. Também caíram as projeções para o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), de 9,77% para 9,74%, o Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), de 10,23% para 10,21%, e o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-Fip), de 6,43% para 6,42%.
A taxa básica de juros, o principal instrumento de política monetária e usada no controle da inflação, foi mantida pela sétima semana consecutiva em 14,75% ao ano. O mercado continua apostando no crescimento da economia e a última estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) é de 5,18% neste ano. Na semana passada, a projeção foi de 5,17%. Não houve alteração na expectativa para a taxa de câmbio no final de ano. que ficou em R$ 1,70 por dólar. O déficit em conta corrente (um dos principais indicadores das contas externas), porém, deve piorar na estimativa do mercado, passando de US$ 27,85 bilhões para US$ 28,05 bilhões com redução no saldo da balança comercial de US$ 23,73 para US$ 23,70 bilhões.
O investimentos estrangeiros diretos permaneceriam estáveis, situados em US$ 35 bilhões. A projeção para a dívida pública caiu de 40,51% para 40,50% do PIB e os preços administrados seriam reduzidos de 3,71% para3,70%.