Quem não leu, deve conferir. A matéria do Estado de São Paulo de domingo, “Sob Dilma, BC muda e tenta estimular crescimento, além de vigiar a inflação ” mostra que a política monetária do Banco Central está mais próxima do modelo norte-americano. Nos Estados Unidos o Federal Reserve tem não só a responsabilidade de controlar a inflação, como, ainda, a de garantir que as bases para o crescimento da economia sejam dadas.
Atuar nas duas pontas para garantir que a economia do país se sustente sobre bases saudáveis é de uma obviedade ululante. No Brasil, no entanto, precisou o PT chegar ao governo para que esse princípio – adotado no cerne do mundo desenvolvido – pudesse ser considerado por aqui.
De acordo com a matéria, apesar de, oficialmente, no Brasil, o BC ter mandato apenas para garantir o cumprimento da meta de inflação definida pelo governo, a instituição estaria adotando uma estratégia buscar ambas as metas de forma gradual. “Na prática, o BC de Dilma opera também de olho no crescimento do País, numa espécie de duplo mandato”, resume o periódico.
Pegar leve no freio
Segundo o Estadão, a intenção do governo tem sido a de não frear demais o ritmo de crescimento da economia em 2011. Foi em função disso a decisão do BC de adiar para 2012 a convergência da inflação para o centro da meta de 4,5%. O titular do banco no governo Lula, Henrique Meirelles, defendia que a meta fosse 4%, mais próxima da média das economias mais desenvolvidas.
No entanto, como a presidenta Dilma Rousseff teria deixado claro, desde o início da sua administração, que estava comprometida com o controle da inflação, porém sem sacrificar o crescimento econômico, o nome de Alexandre Tombini, sucessor de Meirelles, teria sido escolhido exatamente pela percepção de que ele também trabalharia nessa direção.
A matéria relata que o relatório trimestral de inflação de março foi explícito ao afirmar que uma convergência em 2011 para o centro da meta de 4,5%, diante dos choques de oferta, implicaria um custo muito alto para a atividade econômica e a boa prática recomendava um movimento mais suave.
Até que enfim
Até que enfim temos, à vista, um Banco Central que não vise somente a inflação, mas que também se preocupe com o emprego e o crescimento do país. Antes tarde do que nunca.
Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026
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